terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Pessuti garante que será o candidato do PMDB



Ex-governador diz ter maioria para derrotar o senador Roberto Requião na convenção que definirá entre candidatura própria do partido e aliança com Beto Richa ou Gleisi Hoffmann

A seguir reproduzimos parte da entrevista do ex-governador Orlando Pessuti ao Bem Paraná:

Bem Paraná - Porque foi cancelada a convenção do PMDB de Curitiba?
Orlando Pessuti – O cancelamento deveu-se a um entendimento entre os deputados estaduais, o nosso presidente (estadual do PMDB), Osmar Serraglio, com a direção nacional do partido. Existe um recurso tramitando na Executiva Nacional proposto pelo grupo do Requião que pede para ser validada a convenção de julho realizada por eles e que foi por nós indeferida. E o relator do processo, que é o secretário-geral do partido, deputado Mauro Lopes, pediu que fosse feito o adiamento para que ele pudesse estudar melhor o assunto. E o presidente da comissão interventora, Reinhold Stephanes (Jr) decidiu adiar.

BP - O senador Requião foi destituído da presidência do PMDB de Curitiba sob a alegação de baixo desempenho. Mas muitos integrantes da Executiva do partido, inclusive o senhor, não fizeram campanha para o candidato do partido. Não há contradição?
Pessuti – Você não fazer campanha para o candidato do partido não tem nenhuma contradição nesse aspecto. O candidato (a prefeito) do partido (Rafael Greca) teve um bom desempenho até. Agora a chapa de vereadores é que não teve. Se a chapa de vereadores tivesse feito 10% dos votos como fez o candidato a prefeito, nós teríamos pelo menos três ou quatro vereadores. A norma a que nós nos ativemos para a dissolução do diretório de Curitiba e outros 26 é o fato de que não conseguimos o desempenho estabelecido que era pelo menos 10% dos votos para vereador.

BP – O senhor também lançou seu filho (Bruno Pessuti) como candidato a vereador por outro partido, o PSC.
Pessuti – Por conta de uma retaliação que fez o grupo do Requião em 2011, quando renovou o diretório de Curitiba e colocou para fora os meus filhos, os meus amigos, e dizia a todos que no PMDB de Curitiba o Pessuti não teria voz nem vez, e que seus filhos não teriam legenda no PMDB. Por isso meus filhos tomaram a iniciativa de deixar o PMDB. O Bruno disputou pelo PSC que o acolheu. Foi a retaliação do senador Requião que determinou a ida do meu filho para o PSC. O Moisés já retornou ao PMDB e integra a chapa do Stephanes para o diretório municipal.

BP – O que determinou o rompimento do senhor com o Requião?
Pessuti – O rompimento do Requião comigo. Porque não fui eu que rompi com ele. Foi ele que rompeu comigo. Deve ter sido pelo mesmo motivo que ele rompeu lá atrás com o (ex-governador) Mário Pereira quando o Mário o substituiu (em 1994). O Requião saiu do governo e não admitia que, no meu caso, ao assumir o governo, eu governasse o Paraná. Ele queria ele continuar governando. Ele não admitiu de forma alguma que eu pudesse fazer a substituição de alguns secretários. E fiz de poucos. O Requião saiu do governo, trocou os números dos telefones, viajou sem deixar a mim ou a qualquer um dos meus assessores o telefone onde ele estava para ser consultado em alguma necessidade. Tentei por todos os meios contatar ele na primeira semana logo após a posse, que por sinal se deu em uma quinta-feira Santa, em um 1º de abril, já em uma data bastante difícil porque ele viajou e só pude tentar falar com ele na segunda-feira. Era justamente para comunicar que eu substituir o secretário de Segurança, o Luiz Fernando Delazari. E a intenção nossa era fazer essa e mais uma outra substituição. Na composição da minha equipe, somente duas pessoas, dois secretários, não integravam o governo anterior dele. São os secretários Mário Stamm Filho (Transportes) e o Everaldo Moreno (Cohapar). Todos os demais integrantes da minha equipe de governo faziam parte do governo Requião. Inclusive o secretário de Segurança, eu nomeei o coronel Aramis Serp, que era coordenador do projeto Povo em Curitiba. O rompimento aconteceu por conta disso, por eu ter substituído o secretário de Segurança Pública e também o Ouvidor, o Luiz Delazari pai que pediu para sair. E na sequência eu substitui o secretário dos Transportes. Então houve o rompimento, nunca mais conversamos.

Bem Paraná - O rompimento entre o senhor e o Requião não enfraquece a candidatura própria ao governo pelo PMDB?
Orlando Pessuti – A tese da candidatura própria está fortalecida com a minha posição de ser candidato e com a do Requião. Porque somados aqueles que irão nos acompanhar na convenção e aqueles que vão acompanhar o Requião, hoje nós temos maioria dos delegados convencionais. Com toda a certeza. Mas nenhum de nós vencerá se não tivermos o apoio do grupo liderado pelos deputados estaduais e também dos federais. Eu tenho consciência disso e o grupo do Requião também deve ter. Por isso eu continuo aliado ao grupo dos deputados estaduais e nós já vencemos o Requião na disputa pelo diretório estadual. Nós já retiramos o Requião do comando do diretório municipal. Eu não tenho dúvida que nós vamos com certeza impedir a candidatura do Requião ao governo do Estado.

BP - O senhor faria campanha para o Requião?
Pessuti – Ele não será escolhido. Nós vamos vencê-lo na convenção. Eu não preciso me preocupar com essa hipótese. Tenho absoluta convicção de que a união das forças do meu grupo com o grupo dos deputados estaduais e federais e também o senador Sérgio Souza, nós seremos vitoriosos na tese de que eu possa ser candidato a governador.

BP – E acha que ele faria campanha para o senhor?
Pessuti – Acredito que não.

BP – Isso não enfraquece a candidatura do PMDB?
Pessuti – Pode até enfraquecer. Mas não é isso que vai tirar de nós a oportunidade de participar com todas as condições de chegar no segundo turno e disputarmos o governo do Paraná. Nós sabemos que o senador Requião tem o seu nicho de apoio, as pesquisas mostram. É natural que hoje eu talvez esteja em uma posição atrás tanto dele quanto dos demais até porque enquanto ele disputou, se não me engano, sete eleições majoritárias, eu não disputei nenhuma ainda. Disputei duas como vice, mas o candidato a vice você fica um pouco escondido. A Gleisi (Hoffmann) já disputou três majoritárias. O Beto Richa já disputou de prefeito de Curitiba, governo duas. É natural que o meu nome seja menos conhecido que o deles.

Bem Paraná – Muitos consideram que a eleição no Paraná deve ser polarizada entre o PSDB do governador Beto Richa e o PT de Gleisi Hoffmann. O senhor acha que há espaço para uma terceira candidatura competitiva?
Orlando Pessuti – A polarização pode até acontecer. Mas eu acredito que se tivermos uma candidatura peemedebista, a eleição será levada a um segundo turno, e portanto não haverá essa polarização para decidir já no primeiro turno. Como candidato do PMDB nós estaremos ultrapassando a margem dos 20% de intenção de voto.

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