domingo, 26 de abril de 2015

A Rede Globo atrasou o Brasil em 50 anos


Em 1953 terminou a campanha que ficou conhecida pelo slogan "O petróleo é nosso", com a aprovação, pelo Congresso brasileiro, do projeto que criava a Petrobras. Após cinco anos de acalorado debate público entre os que defendiam o monopólio estatal, liderados pelo Partido Comunista, sindicatos e o nacionalista general Horta Barbosa, e os que admitiam a participação de empresas privadas, tendo á frente o general Juarez Távora.
A campanha “O petróleo é nosso” prosperou com a participação de intelectuais como Monteiro Lobato, que chegou a ser preso por defender a criação da empresa.
Há 60 anos o governo brasileiro, com apoio da mídia, trouxe técnicos norte-americanos para avaliar se o Brasil tinha reservas de petróleo. Os norte-americanos foram regiamente pagos por pesquisas de norte a sul do país, e no final apresentaram um relatório afirmando categoricamente que o Brasil não tinha petróleo. Meses depois técnicos brasileiros e russos, provaram que o Brasil tinha, sim, muito petróleo. A extração começou no nordeste, depois na Bacia de Campos.
Após muita pressão popular, passeatas, prisões e torturas, finalmente por meio da Lei nº 2004, de três de outubro de 1953, foi criada a Petróleo Brasileiro S/A - Petrobras. O Congresso Nacional da época não era diferente do atual: uma elite manipulada pelo sistema financeiro, agronegócio e pela mídia, foi obrigada pelo povo a criar a Petrobras.
Após a criação da empresa, contrariando interesses das elites econômicas ligadas ao capital estrangeiro, tendo o jornal O Globo como porta-voz, a oposição organizou uma campanha sistemática para derrubar o presidente Getúlio Vargas, a quem acusavam de apoiar a criação da Petrobras.
A campanha foi acirrada, envolveu traições e corrupção de ministros e de pessoas próximas ao presidente, campanha diária por rádios e jornais contra o presidente, até que finalmente em 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas cometeu suicídio.
Com a morte de Getúlio Vargas o povo identificou claramente seus algozes e depredou as instalações do jornal O Globo no Rio de Janeiro.
Com o suicídio de Vargas o jornal O Globo viu realizado seu objetivo de derrubar um presidente democraticamente eleito, um nacionalista criador das principais indústrias que alavancaram o progresso do país.
Em 1955, João Goulart foi eleito vice-presidente do Brasil, na chapa PTB/PSD. Na ocasião, obteve mais votos que o presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Naquela época, as votações para presidente e vice eram separadas.
Sob fogo cerrado da imprensa, JK renunciou ao cargo de presidente. João Goulart, o Jango, estava na China e a Constituição era clara: o vice-presidente deveria assumir o governo. Porém, os ministros militares (golpistas pró EUA) se opuseram à posse, pois viam nele uma ameaça ao país. Graças às mudanças propostas no Ministério do Trabalho, muitos acreditavam que o vice-presidente mantinha vínculos com comunistas, e sua viagem à China foi o estopim – a China que hoje é o principal parceiro econômico do Brasil.
Liderada por Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, a campanha da legalidade exigia a posse de Goulart. Brizola e o general Machado Lopes, comandante do III Exército, baseado no Rio Grande do Sul, mobilizaram o estado em defesa dessa causa. Usando uma cadeia de mais de cem emissoras de rádio, o governador gaúcho clamava que a população a saísse às ruas para defender a legalidade. A campanha logo recebeu o apoio dos governadores Mauro Borges, de Goiás, e Ney Braga, do Paraná.
Atendendo apelo da imprensa e dos setores mais reacionários, o general Olímpio Mourão Filho iniciou, em 31 de março de 1964, a movimentação de tropas de Juiz de Fora, em direção ao Rio de Janeiro. Este foi o primeiro ato dos militares que culminaria no golpe de estado que depôs o presidente João Goulart.
Com o Golpe de 64, amplamente apoiado pela imprensa e pela Rede Globo, militares tomaram o poder no Brasil e atrasaram o país em 50 anos. Roberto Marinho foi o empresário de mídia que mais lucrou com o golpe militar de 64.
Durante o período do golpe, a maioria dos intelectuais, cientistas e técnicos brasileiros foram forçados ao exílio, privando o país de avanços tecnológicos relevantes para seu progresso, graças à ação nefasta da Rede Globo e demais meios de comunicação – com honrosas exceções, como a Tribuna da Imprensa.
Esta é a verdadeira história da Rede Globo na vida nacional. Graças à Rede Globo que hoje comemora 50 anos de existência, às custas de 50 anos de atraso político e tecnológico do Brasil. Não há o que comemorar... apenas lamentar.

José Gil

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