por Camila Ribeiro ------
O senso de urgência dos jornalistas de Gaza e a integridade tardia dos jornalistas do Ocidente.
O Times de Los Angeles demitiu jornalistas que assinaram a carta "proteja jornalistas".
A carta-declaração pública:
"Nós condenamos Israel pela matança de jornalistas em Gaza e nós pedimos integridade na cobertura de mídia do Ocidente das atrocidades de Israel contra os Palestinos."
Por mais de 10 anos da perseguição escandalosa do complexo industrial militar dos EUA e todos seus tentáculos no Ocidente contra Julian Assange, a maioria dos jornalistas do Ocidente não demonstrou integridade, ou demonstrou pouca firmeza de caráter, quase nenhum espírito de corpo. Estes jornalistas da mídia corporativa que estão agora se pronunciando diante da barbárie que é o genocídio e o massacre de jornalistas em Gaza talvez sejam a raspa do tacho da dignidade jornalística engaiolada na imprensa corporativa.
Não posso deixar de pensar que Assange começou revelando em 2008 esquadrões da morte no Quênia, seguiu revelando os massacres de populações civis no Afeganistão e no Iraque, as torturas das prisões em Guantánamo e Abu Ghraib. E agora, como prêmio, Assange provavelmente receberá uma viagem só de ida para uma prisão caixa-de-metal-com-tapa-sol nos EUA.
Se o Ocidente fosse mesmo democrático e a maioria dos jornalistas deste Ocidente tivessem a integridade e o senso de urgência dos jornalistas em Gaza, talvez Assange não tivesse passado um único dia na cadeia; talvez Israel, como projeto colonial da supremacia branca, não sobrevivesse sequer por um ano, teria falido em 1948; e talvez, estes jornalistas que pedem integridade do Ocidente não estariam agora sem emprego.
Como se diz? Too little, too late.

