Após ajudar “israel” a dizimar Gaza, Alemanha anuncia suspensão da venda de armas

FEPAL --- A Alemanha é o segundo maior fornecedor de armas para "israel" exterminar crianças e mulheres palestinas, depois dos EUA -------------- O chanceler alemão Friedrich Merz deixa o local após fazer uma declaração a jornalistas, após uma reunião do gabinete de segurança do governo alemão na Chancelaria em Berlim, em 28 de julho de 2025 (AFP). A Alemanha está suspendendo novas exportações militares para “israel” que possam ser utilizadas na Faixa de Gaza, em resposta ao plano israelense de ocupar totalmente o enclave palestino. O chanceler Friedrich Merz declarou nesta sexta-feira que as exportações estão congeladas “até novo aviso” e expressou preocupação com a situação dos palestinos de Gaza, que sofrem com a fome imposta por “israel”. A Alemanha é o segundo maior fornecedor de armas de “israel”, atrás apenas dos Estados Unidos. Merz afirmou que é direito de “israel” desarmar o Hamas e buscar a libertação de seus cativos em Gaza, mas que esses objetivos se tornaram mais difíceis de alcançar devido à ação militar planejada por “israel”. “O governo alemão acredita que a ação militar ainda mais dura na Faixa de Gaza, decidida ontem à noite pelo gabinete israelense, torna cada vez mais difícil vislumbrar como esses objetivos podem ser alcançados”, disse Merz em comunicado. “Nessas circunstâncias, o governo alemão não aprovará nenhuma exportação de equipamentos militares que possam ser usados na Faixa de Gaza até novo aviso.” A reação alemã ocorre após reportagens da mídia israelense, nesta sexta-feira, informarem que o gabinete de segurança de “israel” aprovou um plano para ocupar completamente a Faixa de Gaza. A operação deverá começar com a conquista da Cidade de Gaza, com o objetivo de esvaziá-la de seus aproximadamente um milhão de residentes palestinos. Embora o comunicado oficial tenha se referido à medida como uma “tomada”, o site de notícias israelense Ynet informou que o termo “ocupar” foi deliberadamente evitado para contornar as obrigações legais associadas à ocupação formal segundo o direito internacional. Um alto funcionário israelense disse à mídia local que a escolha das palavras foi apenas para fins oficiais, confirmando que a real intenção é ocupar a Faixa de Gaza. O gabinete do primeiro-ministro israelense declarou que o exército irá distribuir “ajuda humanitária à população civil fora das zonas de combate”. -------‐-- Cumplicidade no genocídio -----------‐ Segundo estatísticas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), em 2023, a Alemanha forneceu a “israel” 47% de todas as suas importações de armas convencionais, enquanto os EUA forneceram os 53% restantes. Somente em 2023, a Alemanha aprovou exportações de armas para “israel” no valor de €326,5 milhões (US$380,1 milhões), de acordo com dados do SIPRI analisados pela organização Forensic Architecture. Em 1º de março de 2024, a Nicarágua abriu um processo contra a Alemanha na Corte Internacional de Justiça, em Haia, acusando o país de cumplicidade em genocídio em Gaza devido ao seu apoio militar, financeiro e político a “israel” após a devastadora ofensiva militar de outubro de 2023. Em junho, o Parlamento alemão afirmou que, entre 7 de outubro de 2023 e 13 de maio de 2025, Berlim concedeu licenças de exportação de equipamentos militares para “israel” no valor de €485 milhões (US$564 milhões). Na semana passada, a Eslovênia tornou-se o primeiro país da União Europeia a impor um embargo de armas a “israel”, citando a falha da UE em tomar medidas para interromper o ataque israelense a Gaza. Na reunião de meados de julho, os 27 ministros das Relações Exteriores da UE não conseguiram chegar a um acordo sobre a suspensão do controverso Acordo de Associação UE-“israel”, que cobre tanto as relações comerciais quanto políticas. Também não houve consenso sobre outras nove possíveis medidas contra “israel” propostas após a constatação de que o país violou as cláusulas de direitos humanos do acordo comercial. As medidas que poderiam ter sido aprovadas no mês passado incluíam a suspensão total do acordo, a suspensão das disposições comerciais preferenciais, um embargo de armas, sanções contra ministros israelenses ou a imposição de uma proibição ao comércio com assentamentos israelenses em território palestino ocupado. Suécia e Países Baixos pediram, na semana passada, que a UE suspendesse o acordo com “srael” devido ao cerco contínuo a Gaza e à proibição das operações humanitárias da ONU. ------------‐ * Fepal, com o Middle East Eye.