APP Sindicato ----- A relação entre a redução do IPVA anunciada pelo governador do Paraná, as eleições e o calote em direitos do funcionalismo são temas do artigo do funcionário de escola, Luiz Fernando Rodrigues
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Foto: Rodrigo Felix Leal/ANPr
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O governador do Paraná, que tem intensificado a agenda de viagens fora do estado e reuniões com empresários onde se divulga como pré-candidato à presidência, anunciou nesta semana mais uma medida eleitoreira, a redução do IPVA. “A notícia é muito boa para o bolso da população, mas você sabe o que está por trás da medida?”, questiona o funcionário de escola, Luiz Fernando Rodrigues, em um texto de opinião onde relaciona a notícia com o calote de Ratinho Jr. no pagamento de direitos do funcionalismo e outras ações de precarização do serviço público.
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O anúncio da medida coincide, inclusive, com a divulgação de novos números do instituto Quaest, nesta semana, que apontam queda de Ratinho Junior nas pesquisas de intenção de votos. Para Luiz Fernando, o governador está longe de ser um gestor competente que preza pela população mais pobre do Paraná e tem uma trajetória política marcada por contradições e desrespeito aos(às) servidores(as). “Exemplo disso foi o aumento, em 2024, da alíquota ICMS dos combustíveis em 12,5% e também de 19% para 19,5% abrangendo um reajuste nas taxas de energia elétrica, água mineral, bebidas alcoólicas entre outros itens, o que atingiu em cheio o bolso do povo pobre do Estado”, diz o artigo.
Leia abaixo a íntegra do texto.
O rato e a cortesia com chapéu alheio*
“Os ratos, em alguns contextos, são considerados pragas quando danificam e destroem plantações e silos de armazenamento de grãos,onde também causam danos estruturais danificando fiações, estruturas, além de ser um vetor para diversas doenças…”
RATO. In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Wikimedia, 2025. Disponível em: . Acesso em: 21 ago. 2025.
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O governador do Paraná, Carlos Massa, anunciou aos quatro cantos do Brasil que reduzirá a quase metade o valor do IPVA do Paraná. A notícia é muito boa para o bolso da população, mas você sabe o que está por trás da medida?
Massa era da base de apoio a Beto Richa (PSDB), governador em 2014, quando decidiu aumentar impostos – com um “tratoraço”, em pleno final de ano, às vésperas do Natal. O aumento foi de 12% para 18% ou 25% da alíquota do ICMS sobre até 95 mil produtos como medicamentos, produtos de higiene e eletrodomésticos. O IPVA, veja só, aumentou 40%, de 2,5% para 3,5%, com apoio irrestrito de boa parte dos deputados que hoje apoiam o atual governador e dele próprio que fazia parte do governo, onde foi secretário estadual de Desenvolvimento Urbano.
Mas o atual governador do Paraná, pré candidatíssimo a presidente da república em 2026, está longe de ser um gestor competente que preza pela população mais pobre do Paraná. Exemplo disso foi o aumento, em 2024, da alíquota ICMS dos combustíveis em 12,5% e também de 19% para 19,5% abrangendo um reajuste nas taxas de energia elétrica, água mineral, bebidas alcoólicas entre outros itens, o que atingiu em cheio o bolso do povo pobre do Estado.
Na contramão, o governo do Paraná abre mão de arrecadar cerca de R$ 22 bilhões de reais de empresários e do agronegócio. É dinheiro público que deixa de ser arrecadado e vira lucro nas mãos do chamado “setor produtivo”. Menos saúde, educação, investimentos para a população e mais dinheiro para quem é mais rico.
Outra medida adotada por Carlos Massa é a desvalorização e precarização do serviço público. O Paraná passa pelo governo que mais privatizou e terceirizou setores públicos. O resultado é a piora na prestação de serviços, como vemos no caso da Copel que aumentou a tarifa, tem gerado reclamações de desligamentos constantes no fornecimento além do aumento absurdo do lucro para os acionistas. Hospitais têm sido construídos e entregues à iniciativa privada. Até escolas, agora, são alvo da sede insaciável do mercado. Vemos trabalhadores precarizados, serviços com falta de profissionais, remuneração ainda menor e, novamente, quem ganha são os empresários. O gasto público aumentou. Só no caso da terceirização de funcionários de escola, dados dão conta de que o valor pago pelo Estado para empresas já chega ao dobro do que era pago a contratados pelo governo e, pior, a remuneração destes trabalhadores é bem menor – a conta não fecha.
Massa ainda se gaba de “não conversar com servidores”. Antes de assumir, durante sua campanha em 2018, deu entrevistas dizendo que uma de suas primeiras ações seria dialogar com os servidores e definir um calendário de reposição salarial. Já sentado na cadeira de governador, no alto do Palácio Iguaçu, virou as costas para professores, funcionários, policiais, médicos, enfermeiros e ignorou suas demandas. Alterou carreiras, reduziu direitos, impôs medidas sem qualquer diálogo mínimo com as categorias. Após 7 anos de tirania, são 47% de defasagem salarial. Isso significa que o servidor público do Paraná recebe praticamente metade do que teria direito. É um calote imenso para mais de 250 mil trabalhadores que prestam serviço direto à população, garantindo educação, saúde, segurança.
Em sua entrevista ao anunciar a redução do IPVA, Carlos Massa enfatizou que a população “vai poder usar pra pagar o seu IPTU, comprar o material escolar do seu filho, pra viajar pra praia, gastar no comércio, pagar uma conta de luz, de água. É um dinheiro que fica direto pro cidadão”. Mas o dinheiro que poderia ter sido investido na valorização do servidor não poderia ter o mesmo fim e ajudar também na economia do Estado? Servidor não seria cidadão para ele? A economia de recursos com contratação de pessoal de carreira ao invés de repasses ostensivos a empresas não auxiliaria no investimento do governo em políticas públicas?
O atual mandatário do executivo paranaense também carrega o nome de um roedor, se esgueira no esgoto da política como verdadeira ratazana, corroendo, destruindo, danificando a máquina pública e espalhando seu odor fétido nas entranhas do governo. Mas à imprensa muito bem paga com nosso dinheiro, aparece como um ratinho indefeso, sorridente, de estimação que deve ser adotado e acolhido por todos. Sua política tem feito muito mal ao povo do Paraná e, infelizmente, isso só será sentido mais a frente, assim como um governo liberal lá atrás que decidiu vender as estradas do Paraná e até hoje pagamos a conta. Espero que o povo do Paraná e do Brasil saiba se precaver de pragas como essa. Uma boa borrifada de “hortelã-pimenta” já ajuda bastante.
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*Texto de Luiz Fernando Rodrigues, funcionário de escola (Agente Educacional II), formado em Marketing e especialista em Gestão Escolar.