Em 2013, o ex-analista da NSA Edward Snowden revelou ao mundo milhares de documentos ultra-secretos. Entre eles, provas de que Washington espionava:
- As comunicações da presidenta Dilma Rousseff
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A Petrobras e o Ministério de Minas e Energia
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Milhões de ligações e e-mails de brasileiros O motivo? O Brasil havia descoberto imensas reservas do pré-sal. O governo Dilma defendia o controle estatal da exploração e priorizava empresas brasileiras. Para os EUA, monitorar a Petrobras significava vantagem econômica e geopolítica: antecipar decisões, influenciar contratos e fortalecer suas petroleiras contra os interesses do nosso povo.
A ofensiva não ficou no passado. Hoje, sob Trump e sua linha política, o alvo segue o mesmo: nossas riquezas estratégicas. Do petróleo às terras raras, do sistema PIX aos dados de milhões, o imperialismo quer tudo.
As BigTechs cumprem papel central: cooperam com a espionagem, exploram dados e moldam o debate público, sufocando vozes populares e alinhando o Brasil à agenda de Washington.
A lição é clara: quem controla a informação, controla o poder. Entregar isso é abrir mão do futuro do país.
Regular as BigTechs é defender a soberania nacional.
A carta de Edward Snowden ao povo do Brasil
Publicada em 17 de dezembro de 2013 — mais atual do que nunca.
Alerta sobre espionagem dos EUA ao governo, à Petrobras e a milhões de brasileiros.
Hoje, BigTechs fazem o mesmo: coletam dados, manipulam debates e agem sem limites, ameaçando nossa soberania, riquezas e segurança.
Espionagem em nome da “segurança” “A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” — em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras —, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.”
Vigiando você todos os dias “Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.”
Nada escapa “Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo. A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.”
“Não é vigilância, é coleta de dados” “Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.”
Espionagem em massa “Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima — em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas — e esses programas de vigilância em massa […] que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.”
Motivações reais “Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.”
Silenciar para controlar “Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros. Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!”
Um ato de consciência “(…) Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo onde tudo o que eu digo, tudo o que faço, todos com quem eu falo, todas as expressões de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Isto não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir, e não é algo sob o qual estou disposto a viver.””
Sem pátria, mas com voz “Dias depois, fui informado que o meu governo havia me tornado uma pessoa sem pátria, e que queria me prender. O preço pela minha fala foi o meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: Eu não vou ser aquele que ignora a criminalidade pelo bem do conforto político. Eu preferiria estar sem um país a estar sem uma voz.”
A mensagem ao Brasil “Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja isto: quando todos nós nos unirmos contra as injustiças em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até do mais poderoso dos sistemas.”
Edward Snowden em Carta aberta ao povo do Brasil, 2013"
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ANEXO ------
Na terça (15), o governo dos EUA abriu uma investigação contra o Brasil — o PIX entrou na mira.
O documento acusa o país de “práticas comerciais desleais” e critica o favorecimento a serviços de pagamento desenvolvidos pelo governo, como o PIX, que concorre com empresas como Google, Apple e Meta.
O inquérito, pedido por Donald Trump, pode resultar em tarifas, sanções e até uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. Mais uma ofensiva para atacar nossa soberania e favorecer o imperialismo.
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publicado por Movimento Brasil Operário