Morre empresário vítima da Lava Jato

Salim Schahin (Foto: Câmara Árabe) ------------------ Perdeu tudo o que ganhou trabalhando ---------------------- por Alex Solnik* no Brasil 247 ------------- Conheci Salim T. Schahin em dois momentos. Há dez anos, quando trabalhei na revista editada por sua filha, cuja redação ficava no prédio da Schahin, uma das maiores construtoras do Brasil, na rua Vergueiro e em seu apartamento de 600 metros quadrados, há dois anos, onde eram seus vizinhos, dentre outros famosos, o casal Marta Suplicy e o bilionário Lírio Parisoto. Entre um encontro e outro aconteceu a Operação Lava Jato. Envolvido no caso do empréstimo a José Carlos Bumblai, Schahin perdeu tudo. Ou quase tudo. Restou o apartamento nos Jardins. Nos dois momentos ele me recebeu com todas as honras da casa. Era um homem extremamente gentil e culto. E sedutor. Grande contador de histórias. Uma boa alma. O objetivo do segundo encontro era escrever sua biografia. Gravamos durante pouco mais de uma hora, mas nunca cheguei a tirar a fita. Não prosseguimos as gravações. Ele ainda lutava na Justiça para reaver a imensa fortuna que tinha ganho trabalhando duro. Não ficou rico passando a perna nos outros, nem com falcatruas, mas construindo milhares de casas. Depois mergulhou no negócio de transporte de petróleo, no que se tornou um expert. Tinha uma capacidade fantástica de aprender. Tudo o que se propunha a realizar, realizava à perfeição. Não admitia nada menos. Foi um grande benemérito, amante da arte, amigo da cultura, amado por todos que conviveram com ele, sua mulher, seus filhos e um orgulho da colônia libanesa, que jamais o esquecerá. Meus pêsames à família, em especial à querida Camilla. ---------------------- *Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)