A pesquisa em arroz tolerante à salinidade busca resolver um obstáculo fisiológico central: o excesso de sal inibe o crescimento das plantas, afeta a absorção de água e pode levar à perda total da lavoura. Para contornar esse problema, cientistas chineses vêm selecionando ou cruzando variedades de arroz capazes de limitar a entrada de íons como sódio e cloreto nos tecidos mais sensíveis da planta.
Em campo experimental, algumas dessas linhagens atingiram rendimentos de aproximadamente 8,8 toneladas por hectare em áreas salinas que normalmente teriam produtividade muito baixa. Essa abordagem tem como objetivo explorar terras consideradas marginais, especialmente zonas costeiras e áreas degradadas pela salinização.
Os pesquisadores explicam que a estratégia combina melhoramento tradicional, seleção assistida por marcadores e manejo agronômico ajustado, como escolha de densidade de plantio e controle de irrigação.
A expectativa declarada por alguns grupos de pesquisa é que, se a tecnologia se mostrar estável e economicamente viável, seja possível ampliar a produção de alimentos sem depender apenas de novas áreas férteis. No entanto, especialistas destacam que ainda faltam dados revisados de maneira independente sobre a durabilidade desses rendimentos em safras sucessivas, sobre o custo real de implantação em larga escala e sobre o impacto ambiental associado ao cultivo em solos de alta salinidade.
