COMANDO VERMELHO ENGOLE O PCC

 


Por Edilson Martins

A grande mídia  continua comendo mosca, não captando as raízes da violência generalizada de ontem.


Desde os anos 50 começam as milícias - edificação da Barra no Rio -  mas é a partir dos últimos anos do Golpe de 64 que elas se consolidam.


Militares e policiais civis que lhe serviram, como repressores, torturadores e assassinos, ingressam na bandidagem do fechado, até então, jogo do bicho.


A partir dos anos 90 surgem os defensores dos milicianos - PMs, polícia civil, corpo de bombeiro, envolvidos em crimes - nomeados implantadores da ordem.


Inimigos de maconheiros nas favelas. 


Houve simpatia.


Jair Bolsonaro, emergindo como vereador carioca, e de resto filhos e parceiros, defende a milícia em nome da família da Zona Norte, subúrbio e favelas.


Elas surgem combatendo, supostamente, o tráfico rasteiro de maconha.


Formadas por "agentes" da Lei expulsos desses aparelhos de estado.


Passam a gerar simpatia.


Bolsonaro é líder sindical dos militares.


Por aloprado, bombas em quartéis, termina expulso do Exército. 


Cria o discurso qualificando o bem social dos milicianos. 


Num primeiro momento, milícias - ex-policiais - e traficantes de droga foram inimigos. 


Recentemente, nos últimos 10 anos, começaram a se associar.


Nessa "Entente Cordiale", nesse pacto de paz, o narcotráfico, o Comando Vernelho, aprendeu que achacar as favelas - taxas sobre gás, água, luz, transporte, TVs, tudo enfim - era a galinha dos ovos de ouro.


Ontem, o CV mostrou ao Brasil e ao mundo, a sua força.


Evidente ficou que as milícias perderam.


Assim como o famoso PCC de Marcola perde fôlego, depois de anos de hegemonia. 


Esses são os fatos.


E a grande mídia continua chovendo no molhado.


Quem prevalece hoje no Rio, e no restante do país, região Norte e até SP, é o Comando Vermelho.


Ontem, essa hegemonia do CV escancarou.


Na Tríplice Fronteira -  Brasil, Colômbia e Peru - envolvendo Tabatinga, Letícia, Benjamin Constant, Atalaia do Norte,  no Vale do Solimões, Amazônia, agora é o CV.

Conheço de perto, em diferentes incursões, essa região. 


Nela foram assassinados recentemente o sertanista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Philips. 


No final dos anos 80 cobri, como repórter, o assassinato, em todo o século XX de militares do Exército brasileiro pelas Farcs colombianas.


Já existia o tráfico, mas hoje  é a maior rota do narcotráfico da América do Sul.


Quem domina é o CV.


Ele ocupa praticamente todo país, com conexões internacionais.


Curioso; o CM se alfabetiza durante a ditadura de 64.


Aprendeu, nos presídios, se escolarizou com  os movimentos de esquerda que pegaram corajosamente em armas, a arte do enfrentamento.


Nos presídios da Ilha Grande - Cândido Mendes - no Rio, isso aconteceu.


As ditaduras sempre foram estúpidas.