por Julio Benchimol -------
A defesa do dono do Banco Master veio a público dizendo que o banqueiro e pastor Daniel Vorcaro “está algemado, de cabelo raspado, convivendo com outros presos e correndo sério risco de morte”. Pois é. Quando o Brasil descobre que até banqueiro sente o cheiro do sistema prisional, acontece um pequeno milagre sociológico: de repente, o cárcere volta a ser “um problema”.
Prisões brasileiras sempre foram depósitos humanos. Hoje servem para pobre, para preto, para primário, para “flagrante duvidoso”, para quem respirou errado na abordagem. Mas quando um banqueiro cai lá dentro, vira tragédia institucional.
Só que o risco existe mesmo. O Estado tem dever jurídico de preservar a integridade física de qualquer preso, seja ele o dono de banco ou o dono de um boteco. Está no art. 5º, XLIX, da Constituição. A diferença é que com os anônimos ninguém liga; com os endinheirados a palavra “risco de morte” aparece no título.
O paradoxo é cruel, e justamente por isso merece ser dito sem floreios: se a prisão é insegura para um banqueiro investigado por fraude bilionária, imagine para quem não tem advogado, mídia, sobrenome ou helicóptero. O escândalo não é um banqueiro estar com medo. O escândalo é só agora alguém admitir que o sistema é violento.
A lei vale para todos. O inferno prisional também. Talvez o caso Vorcaro sirva para lembrar aos poderosos que segurança não deveria ser item de luxo.
E antes que perguntem: não, eu não virei garantista de boutique. Eu só me recuso a fingir surpresa com um país onde justiça é cega, mas a cela enxerga muito bem quem está entrando.
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BANQUEIRO FICARÁ PRESO EM SUA MANSÃO, COMO SEMPRE ACONTECE NO BRASIL DA ELITE CORRUPTA E RACISTA
A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), revogou a prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mas impôs uma série de medidas cautelares que endurecem o controle judicial sobre o empresário.
