A decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar que a Polícia Federal assuma a investigação sobre o crime organizado no Rio de Janeiro é, sem dúvida, uma medida necessária e sensata. Quando o poder local se confunde com as estruturas do crime, quando milícias e facções se infiltram em setores da política, da economia e até das forças de segurança, não há como esperar uma apuração justa e independente feita por dentro do próprio sistema corrompido.
O Rio de Janeiro, infelizmente, é o retrato mais visível dessa promiscuidade entre o crime e o poder. Houve até quem, ocupando cargos públicos, prestasse homenagens e concedesse honrarias a pessoas ligadas ao submundo das milícias. Isso mostra como o crime organizado deixou de ser apenas um fenômeno das favelas e se tornou um problema de Estado, com ramificações em gabinetes e corporações.
Por isso, é acertada e urgente a intervenção de um órgão de fora, com estrutura nacional e maior autonomia, como a Polícia Federal. A PF tem condições técnicas, inteligência e alcance para seguir o rastro do dinheiro, das armas e das relações políticas que sustentam essas organizações criminosas. E mais: o crime organizado já não se limita às fronteiras do Rio de Janeiro; ele se espalhou pelo país, assumindo novas formas e parcerias em cada região.
A decisão de Moraes, portanto, é um passo firme na direção de romper com o ciclo de impunidade e com o pacto silencioso entre o poder e o crime. É um recado claro de que o Estado brasileiro, representado por suas instituições nacionais, não pode continuar refém das forças que ele mesmo ajudou a criar.
