CORRUPÇÃO NO PARANÁ

Novos áudios citam esquema ilegal, chantagens e movimentação de dinheiro em espécie para pagar dívida de campanha do governador --------------------- As denúncias envolvendo o governo do Paraná e a Sanepar ganharam mais força com vazamentos de novos áudios detalhando uma rede de corrupção. Gravações indicam um possível esquema de arrecadações ilegais de recursos envolvendo a Sanepar, entrega de dinheiro em espécie e chantagens com funcionários da estatal. Os indícios de corrupção levaram o deputado Requião Filho (PDT) a exigir investigação imediata da Polícia Federal e do Ministério Público do Paraná. Os áudios mais recentes aprofundam denúncias que vieram à tona no mês de dezembro e revelam diálogos explícitos sobre a movimentação de grandes quantias de dinheiro no Paraná. Em trechos das gravações, são mencionados valores de aproximadamente R$ 200 mil por operação, chegando a cifras que podem alcançar R$ 600 mil entregues “em mãos”, como forma de evitar qualquer tipo de rastreamento financeiro. As conversas também indicam que a arrecadação teria como finalidade cobrir gastos de campanha eleitoral ligados ao grupo político do governador Ratinho Jr. Em um dos diálogos, há referência direta à necessidade de levantar recursos para fechar contas de campanha, associando nomeações e permanência em cargos estratégicos dentro da Sanepar ao pagamento desses valores. Outro ponto que chama atenção é a descrição de um ambiente de intimidação e chantagem. Os próprios envolvidos mencionam a existência de áudios guardados como forma de proteção pessoal, numa lógica contra demissões e perdas de cargos políticos. Em um dos trechos, a gravação é citada como instrumento de pressão caso alguém “caísse” ou fosse afastado do esquema. Requião Filho destaca que, além das gravações, documentos recentes envolvendo o PSD reforçam os indícios de corrupção. Um deles autoriza o Diretório Estadual do partido a assumir uma dívida superior a R$ 3,4 milhões, levantando suspeitas de ligação direta com o conteúdo dos áudios que tratam da arrecadação para cobrir despesas eleitorais. “Os novos documentos envolvendo o PSD e uma autorização do Diretório Nacional para que o estadual assuma uma dívida milionária só corroboram e confirmam que aqueles áudios têm um fundo de realidade. Estavam arrecadando para cobrir os gastos de campanha. Isso é crime eleitoral, isso é caixa 2, isso é dinheiro sem origem, isso é corrupção. Meu Deus do céu, será esse o modelo Paraná que Ratinho quer levar para Brasília?”, questionou o deputado. Requião Filho, em conjunto com o deputado Arilson Chiorato (PT), protocolou pedidos de informação e representações formais junto à Polícia Federal, ao Ministério Público, ao Ministério Público Federal, ao Tribunal de Contas do Estado, à Agepar e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O parlamentar destaca que a atuação da CVM é fundamental, uma vez que a Sanepar é uma empresa de capital aberto, com acionistas no mercado financeiro, o que pode caracterizar crimes financeiros e violação às regras do mercado de capitais. Os deputados também solicitaram à Casa Civil as informações detalhadas sobre atos de nomeação, contratação e exoneração da SANEPAR, COHAPAR e COPEL, contendo dados de funcionários não concursados com nome completo, CPF, função, lotação, salários (bruto e líquido), gratificações, benefícios e datas de admissão ou demissão referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2022. *Investigação e transparência* - A transparência nas investigações nas investigações também aparece entre as prioridades do deputado, incluindo a apresentação integral de contratos da gerência regional Nordeste da Sanepar, atos de nomeação e exoneração dos citados nos áudios. Além disso, Requião Filho destaca a importância do envio completo das gravações e documentos à Controladoria-Geral do Estado e às autoridades competentes para abertura de inquéritos criminais.