Via Carlos Eduardo Raposo ---------
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Estudo recém-divulgado, feito em 2022 pela antropóloga Adriana Dias, contabilizou 320 células neonazistas em Santa Catarina, maior concentração por habitante entre os estados brasileiros. Também é de SC a cidade com o maior número desses grupos em números absolutos: Blumenau, com 365 mil habitantes e 63 organizações ideologicamente identificadas com as bandeiras da extrema-direita supremacista.
Os dados também chamam a atenção quando comparados aos do estado de São Paulo e da capital paulista. SP aparece em segundo lugar no ranking, com 268 células para 46 milhões de habitantes. Já na capital paulista, com 12 milhões de moradores, 96 núcleos foram encontrados.
Esses dados são usados oficialmente pelo Ministério dos Direitos Humanos e foram levados à ONU em 2024 para alertar sobre o avanço do extremismo de direita na região Sul do Brasil.
Os números apontam ainda um crescimento exponencial das adesões às ideias de Adolf Hitler entre os brasileiros:
👉🏽 Em 2015, a pesquisadora registrou 72 células em todo o Brasil;
👉🏽 Em 2019, esse número aumentou para 334;
👉🏽 Em 2021 passou para 530 células;
👉🏽 Já em 2022 registrou-se a existência de 1.117 grupos neonazistas, um aumento de 210% em um ano;
👉🏽 A maior concentração é nas regiões Sul e Sudeste, com 676 e 337 núcleos, respectivamente.
O levantamento também revela que, nos aplicativos de mensagens, a ideologia nazista conquistou mais adesões no Brasil no mesmo período em que a extrema-direita ganhou espaço com a ascensão de Jair Bolsonaro e seus aliados ao poder.
No Telegram, dos 46 grupos neonazistas monitorados, 45 foram criados após 2018, ano da eleição de Bolsonaro; e vinte deles surgiram em 2022, último dele na Presidência.
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🚨 Supremacia branca
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Para fins de pesquisa, uma célula neonazista é composta por grupos que variam de 3 a 40 pessoas e que se organizam em torno de ideologias de supremacia branca, racismo, antissemitismo, misoginia e ódio a minorias (mulheres, pretos e população LGBTQIA+).
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*Com o falecimento de Adriana Dias, em 2023, o estudo foi paralisado, mas a pesquisadora deixou um importante caminho a ser trilhado pela justiça brasileira.
