Texto da Angela Carrato ----------
Via João Lopes
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Não basta afirmar que o Jornal Nacional mente e manipula. É preciso mostrar como isso se dá.
Então, vamos lá.
Na edição desta segunda-feira (26/1) foram pelo menos cinco Manipulações descaradas.
PRIMEIRA MANIPULAÇÃO - Com a maior cara de pau, os âncoras do JN, César Tralli e Renata Vasconcellos, insistiram na tese de suspeição do STF, desviando o foco das falcatruas do extinto banco Master.
Ao invés de falar no rombo provocado pelo corrupto Daniel Vorcaro, o JN, na mesma linha do portal de extrema-direita Metrópoles, do picareta Luis Estêvão, está fazendo de tudo para desgastar e desacreditar a Suprema Corte.
O objetivo é tentar forçar a Suprema Corte a aceitar uma dosimetria que praticamente anistie os golpistas de 8 de Janeiro. Anistia que, se acontecesse, seria muito ruim para a democracia brasileira. Mas a família Marinho não está nem aí. Ela não gosta de Bolsonaro, mas tudo fará para evitar um novo mandato para Lula.
SEGUNDA MANIPULAÇÃO - Com carinhas de alegria, os âncoras anunciaram que o último refém israelense em poder do Hamas foi libertado. Há todo aquele esquema de mostrar a alegria da família, ao mesmo tempo em que o Hamas é chamado de grupo terrorista e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é tratado como político respeitável. O que o JN omite é o genocídio praticado por Israel contra os palestinos na Faixa de Casa.
Por conta de um ataque do Hamas em que morreram cerca de mil israelenses - há controvérsias em relação a este número, porque o exército de Israel atirou indiscriminadamente naquele episódio - Israel matou mais de 70 mil pessoas. E continua matando.
Aliás, nem uma palavra sobre o cretino Conselho da Paz proposto por Donald Trump para transformar Gaza num grande resort. Um resort em cima dos cadáveres de milhares de inocentes. Com tamanha e permanente manipulação, dá para entender porque tantos brasileiros e brasileiras apoiam Israel e acham que ali é a tal terra prometida. Isso, claro, com a ajuda dos picaretas pastores neopentecostais.
TERCEIRA MANIPULAÇÃO- A matéria sobre a Venezuela, na qual a presidente em exercício, Delcy Rodriguez, fala en passant, que está cansada das ameaças dos Estados Unidos, teve um único objetivo: mandar o recado de Trump aos países da América Latina: "se não excluírem Rússia e China da região, os nossos militares vão agir".
Detalhe: Maduro continua sendo chamado de "ditador" pelo JN, não é feita qualquer referência a ele e sua esposa, Cilia Flores, continuarem sequestrados e presos por Trump em Nova York. Ao contrário de mostrar os absurdos e a violência de Trump contra a América Latina, o JN se transformou no seu moleque de recados. O moleque de recados de um tirano.
QUARTA MANIPULAÇÃO - O tal "maior rombo nas contas externas brasileiras nos últimos 11 anos", chamado em manchete no penúltimo bloco do JN, não passou de mais uma tentativa de desgastar o atual governo. Apesar de todos principais indicadores econômicos deixarem claro que o terceiro governo Lula vai muito bem, o JN insiste em tentar convencer o seu respeitável público de que não é bem assim.
E aí bota um tanto de economistas e especialistas neoliberais, que não falam coisa com coisa, mas servem para confundir a cabeça de muita gente. Os manipulados saem repetindo "rombo", "rombo". Um desses especialistas chegou a sugerir que o governo precisa investir urgente em infraestrutura, para ampliar o comércio exterior. Certo. Mas nem uma palavra sobre o arcabouço fiscal, que impede investimentos. Nem um pio sobre a escorchante dívida pública, que consome anualmente mais de R$ 1
trilhão do orçamento federal só com o pagamento dos juros.
O pagamento destes juros é assunto proibido no JN.
QUINTA MANIPULAÇÃO - Sem qualquer destaque foi anunciado que a Petrobras, a partir de amanhã, vai baixar o preço da gasolina em 5,2%. Mas nada é dito como será o novo preço do combustível nas bombas para o consumidor. Sabe por que? Por que a BR distribuidora foi privatizada por Bolsonaro com o apoio dos neoliberais e, claro, da família Marinho.
A BR distribuidora, uma das empresas da Petrobras criada em 1971, era um dos orgulhos do Brasil, por vender a gasolina mais barata. Hoje, com o nome mudado para Vibra Energia, está nas mãos de alguns grupos amigos da família Marinho, a exemplo do empresário Ronaldo Cezar Coelho, um tucano do Rio de Janeiro. Esse é outro assunto proibido no JN.
Por último, mas não menos importante, o JN, nesta edição, deu sequência à sutil campanha em apoio ao governador de São Paulo, o extremista de direita Tarcisio de Freitas, como seu pré-candidato à presidência da República. Numa matéria sobre chuvas e efeitos climáticos extremos, a Defesa Civil de São Paulo é apresentada como super eficiente e do lado do cidadão. Beleza. Pode até ser. Mas omite-se que eventos climáticos extremos são em grande medida responsabilidade de negacionistas e privativistas como Tarcisio de Freitas. Ele é contra os ambientalistas e se depender dele vende o que restou de nosso patrimônio público. As privatizações de água e luz em São Paulo são exemplos disso.
Mas os dois âncoras e fazedores de caras e bocas do JN estão aí para esconder tudo isso de você."
