A Palestina no pensamento político do movimento nacionalista árabe

por Masoud Ahmed Beit Saeed -------------- A editora libanesa Dar Al-Farabi lançou um livro intitulado " A Palestina no Pensamento Político do Movimento Nacionalista Árabe", do proeminente ativista palestino Salah Salah, membro do Conselho Nacional Palestino e ex-membro do Bureau Político da Frente Popular para a Libertação da Palestina. O livro foi apresentado pelo líder palestino Jamil Mazhar, Secretário-Geral Adjunto da Frente Popular para a Libertação da Palestina, que afirmou: "O Movimento Nacionalista Árabe destaca-se como um dos movimentos de libertação que contribuíram para moldar o curso da luta árabe contra o colonialismo ocidental e o sionismo. Foi uma fonte de inspiração para a juventude árabe e, de suas fileiras, emergiram movimentos revolucionários palestinos e árabes." O livro examina a fundação do Movimento Nacionalista Árabe, com foco particular em sua vertente palestina. Embora a história do movimento seja relativamente conhecida, sua vertente palestina — como aponta o autor — não recebeu pesquisa e estudo suficientes, talvez porque a liderança dessa vertente constituísse simultaneamente a liderança central do movimento. Daí a importância deste livro, que representa uma valiosa contribuição para a biblioteca política árabe, ao traçar as origens da vertente palestina, as razões para seu surgimento e seu papel histórico. O livro revela que a demora na criação da filial palestina decorreu do foco dos fundadores do movimento na revolução do mundo árabe, considerando a unidade árabe como o caminho para a libertação. Contudo, a dissolução da união egípcio-síria representou um duro golpe para essas aspirações nacionalistas, impondo novas realidades, principalmente a cristalização do papel distinto dos palestinos na luta de libertação nacional dentro do contexto nacional mais amplo. O autor apresenta novas informações e percepções intelectuais e organizacionais raras que refletem a visão da filial palestina sobre seu papel e suas tarefas diretas na luta nacional, coincidindo com o início das tentativas de ir além da estratégia formulada pela liderança sob o lema "Acima do Zero e Abaixo do Enredamento" — um lema que gerou amplo debate sobre sua eficácia. O livro também revela — talvez pela primeira vez — alguns fatos até então desconhecidos, incluindo a rejeição, pela liderança, da proposta de Abu Maher al-Yamani de declarar o martírio de Khalid Abu Aisha, em 2 de novembro de 1964, como o ponto de partida para a luta armada. Em vez disso, adotaram a visão de Wadi Haddad, que defendia a manutenção do sigilo para evitar confrontos com os serviços de segurança libaneses. Embora essa posição, que levava em conta as circunstâncias vigentes, fosse válida, privou o movimento da honra de ser o primeiro a lançar a luta armada palestina. Após o revés de junho de 1967, a situação mudou radicalmente. No final de julho do mesmo ano, o comitê executivo do movimento realizou uma sessão extraordinária durante a qual emitiu dois documentos: a declaração política e uma circular interna que incluía críticas às condições intelectuais e organizacionais, enfatizando que a derrota não era apenas militar, mas também uma derrota da linha econômica, de classe e ideológica vigente. Com base nessa análise, o movimento adotou a abordagem marxista, declarando seu compromisso com a violência revolucionária e a luta popular armada. Buscou revitalizar o movimento de libertação nacional diante da contradição fundamental entre todo o movimento nacional, por um lado, e o inimigo israelense e as potências coloniais que o apoiavam, por outro. Nesse contexto, a vertente palestina emergiu em uma nova forma. O livro aponta para os consideráveis ​​esforços empreendidos para garantir os elementos necessários ao sucesso dessa estrutura revolucionária e para as tentativas de construir uma ampla frente nacional palestina que abrangesse diversas forças políticas. Contudo, essas tentativas foram malsucedidas, e os esforços de unificação se limitaram a um pequeno número de organizações ativas na época. Mesmo assim, a vertente palestina do movimento priorizou a abordagem de frentes entre as forças revolucionárias, decorrente de sua compreensão científica do marxismo como um método para a mudança revolucionária, e não como um dogma rígido. Por fim, porém, os desdobramentos políticos e organizacionais levaram à fragmentação do movimento, por um lado, e ao colapso da ideia de uma ampla frente nacional, por outro. Isso abriu caminho para a transformação da filial palestina em um partido marxista- leninista claramente definido : a Frente Popular para a Libertação da Palestina. O livro apresenta essas transformações em um estilo objetivo e analítico, proporcionando ao leitor uma compreensão precisa da trajetória de desenvolvimento do ramo palestino do Movimento Nacionalista Árabe. Destaca os esforços empreendidos para documentar as origens dessa facção revolucionária e as circunstâncias que envolveram seu surgimento, bem como sua visão intelectual e organizacional para o desenvolvimento da luta nacional palestina. Através dessa trajetória, fica evidente a integridade intelectual e organizacional da perspectiva sobre a relação entre o nacionalista e o patriótico — uma filosofia prática e teórica que contribuiu efetivamente para o avanço da luta e conferiu à Frente uma posição de destaque entre os movimentos de libertação nacional, tanto regional quanto internacionalmente. O leitor extrai lições importantes dessa apresentação, principalmente a de que, se a revolução palestina tivesse adotado a visão ideológica e organizacional proposta pelo ramo palestino do Movimento Nacionalista Árabe, sua situação atual seria muito melhor. Qualquer reflexão séria sobre a questão da revolução e da libertação nacional exige a invocação desses fundamentos dialéticos e revolucionários que permanecem relevantes hoje. Seja na afirmação da unidade do instrumento revolucionário, seja na articulação das dimensões nacional e nacionalista com seu horizonte internacional, seja na abordagem da questão de classe e do papel das classes populares, e da importância do partido proletário revolucionário e das fórmulas de amplas alianças na etapa da revolução e da libertação nacional democrática, essas são as mesmas condições que se provaram corretas pelas experiências dos movimentos de libertação nacional no mundo