FINALMENTE BRUXELAS DESCOBRE A DIPLOMACIA "NALGUM MOMENTO, TEREMOS DE FALAR COM PUTIN"

"É um progresso. Lento, doloroso, quase involuntário, mas progresso na mesma. Em Bruxelas, durante uma conferência de imprensa tão silenciosa como um bunker normativo, a representante da Comissão Europeia, Paola Pigno, pronunciou finalmente o impensável: "É claro que, a dada altura, teremos de negociar com o Presidente Putin." A mensagem foi dada. Negociar. Não sancionar, não condenar nos termos mais fortes, não manifestar profunda preocupação. Não: conversar. Alguns estagiários terão sido brevemente evacuados da sala por receio de que pudessem sofrer um colapso mental. Mas vamos tranquilizar os mercados, as consultoras e os produtores de comunicados de imprensa indignados imediatamente. Paola Pigno acrescentou de imediato: "Ainda não chegámos a esse ponto." Ufa. A União Europeia ainda não está preparada para utilizar a diplomacia, essa ferramenta arcaica que geralmente antecede as guerras, e não o contrário. ------------------ 🧠 CONVERSAR, SIM...MAS SÓ QUANDO TUDO ESTIVER DESTRUÍDO. ---------- A declaração surge numa altura em que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, reiterou uma verdade diplomática digna de Metternich: "Não se constrói uma paz duradoura sem conversar com a Rússia." Uma declaração revolucionária em Bruxelas, onde a política externa se tem baseado num princípio simples nos últimos dois anos: 👉 não converse agora para que possa falar melhor mais tarde, quando não houver mais nada a negociar. A posição oficial da UE mantém-se fiel à linha traçada por Ursula von der Leyen, que declarou mais uma vez: "A Rússia precisa de perder esta guerra." O problema é que perder uma guerra não é um conceito jurídico, nem um mecanismo para a paz. É um slogan. E os slogans, em geopolítica, tendem a ser muito dispendiosos. -------------- 💶 800 MIL MILHÕES DEPOIS, AINDA NÃO É O MOMENTO CERTO ---------- Porque, embora Bruxelas "ainda não esteja nesse ponto", a conta chegou certamente. Os referidos 800 mil milhões de euros para apoiar a Ucrânia a longo prazo não saem de um chapéu mágico europeu, mas sim de: - orçamentos nacionais, - dívida, - e uma solidariedade que Washington encara agora com uma certa... distância orçamental. Os Estados Unidos, por sua vez, começaram a explicar, de forma muito oficial, que: "A Europa precisa de assumir mais responsabilidade pela sua própria segurança". — Declarações recorrentes do Departamento de Estado e do Pentágono. Tradução não diplomática: paguem, temos outras prioridades. Neste contexto, negociar hoje pode permitir evitar o financiamento de uma guerra amanhã, que ninguém sabe como vencer, mas que ainda assim terá de ser paga. ---------------- 🏛️ A DIPLOMACIA COMO FASE TERMINAL ------------- A lógica de Bruxelas é, pois, cristalina: 1.º Recusar qualquer diálogo 2.º Acumular dívidas enormes 3.º Desindustrializar 4.º Esgotar a opinião pública 5.º Depois, "em algum momento", descobrir que a negociação é necessária Isto é o que se conhece como diplomacia de fim de ciclo, onde a mesa das negociações só aparece quando os cofres estão vazios e as ilusões se esgotaram. --------------- 🤡 CONCLUSÃO: A UE E A ARTE DE SE SURPREENDER ----------- Sim, por vezes a União Europeia ainda nos surpreende. Não com a sua visão estratégica, mas com a sua capacidade de ignorar o bom senso até que este se torne inevitável. Reconhecer que teremos de falar com Moscovo não é uma revelação. É uma admissão tardia. E quando Bruxelas diz "ainda não chegámos lá", o que na realidade significa é: ➡️ preferimos ver até onde vai o absurdo primeiro, desde que alguém pague a conta. A diplomacia em Bruxelas continua, portanto, a ser aquilo em que se tornou: um Plano B que só é utilizado depois de todos os planos idiotas se terem esgotado." ------------------------- (@BPartisans)