Em 2009, diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, Muammar Gaddafi fez uma das denúncias mais contundentes já ouvidas naquele palco.
Em seu discurso, ele afirmou que a África foi saqueada por séculos durante a escravidão, o colonialismo e a exploração econômica — e que essa conta nunca foi paga. Segundo Gaddafi, a dívida histórica do Ocidente com o continente africano ultrapassava US$ 7,7 trilhões.
Para ele, esse valor representava apenas uma parte das riquezas extraídas da África, usadas para construir impérios, bancos e economias fora do continente, enquanto os africanos herdaram pobreza estrutural, conflitos e dependência.
A fala causou choque, desconforto e forte reação nos círculos diplomáticos. Ao exigir reparações, soberania africana e independência financeira, Gaddafi confrontou interesses globais profundamente enraizados.
Dois anos depois, em 2011, a Líbia foi alvo de uma intervenção militar internacional. O Estado líbio colapsou, o país mergulhou no caos e Muammar Gaddafi foi capturado e martirizado.
Para muitos, sua fala de 2009 não foi apenas um discurso.
Foi uma denúncia ao mundo —
uma verdade dita alto demais —
que mais tarde lhe custou a própria vida.
