Gleisi disputará majoritária no Paraná a pedido de Lula

Lula e Gleisi / Foto: Ricardo Stuckert ----------------- por Esmael Morais em seu blog ----------- A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disputará uma eleição majoritária no Paraná por determinação do presidente Lula. A decisão integra a tática eleitoral do Planalto para fortalecer palanques próprios nos estados e reduzir a dependência de alianças em um cenário de disputa presidencial polarizada. Gleisi desembarca em Curitiba nesta semana para realinhar a estratégia do PT no estado. O movimento ocorre enquanto Lula, candidato à reeleição, projeta uma eleição apertadíssima em outubro e faz contas para o inédito quarto mandato no Palácio do Planalto. A leitura no governo é objetiva. O partido precisa confiar mais na própria musculatura eleitoral. No Sul, a orientação é clara. No Rio Grande do Sul, o PT terá candidatura própria, com Edegar Pretto e a pedetista Juliana Brizola na vice. Em Santa Catarina, Décio Lima deixará o Sebrae para enfrentar o governador Jorginho Mello (PL). No Paraná, a princípio, Gleisi disputaria o Senado para reforçar a chapa do deputado estadual Requião Filho, pré-candidato ao governo pelo PDT. A ministra deve procurá-lo ainda nesta semana. A avaliação do Planalto, porém, amadureceu para uma majoritária, com palanque robusto e controle político do discurso no estado. O desenho se repete em outros colégios eleitorais estratégicos. Em São Paulo, Lula escalou o ministro da Fazenda Fernando Haddad para o Palácio dos Bandeirantes. No Rio de Janeiro, o PT trabalha com palanque próprio, com Marcelo Freixo na disputa pelo Palácio Guanabara. O objetivo é formar um cinturão de candidaturas para enfrentar o pior cenário, uma eleição polarizada contra a extrema direita. Embora o Planalto não declare preferência por adversários, cresce a convicção de que o embate central pode se dar com o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), numa tentativa da direita de unificar forças em um único palanque. O nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apesar da alta rejeição, permanece no radar como variável do jogo. Nesse sentido, para lá ou para cá, a aposta do Planalto é que a eleição presidencial pode ser resolvida ainda no primeiro turno. Daí a lógica de candidaturas próprias fortes nos estados-chave. No Paraná, a majoritária de Gleisi faz sentido na tática lulista e reposiciona o PT no centro da disputa. Apesar das narrativas, o Palácio do Planalto prevê crescimento de Lula na região Sul nas eleições deste ano, em comparação às de 2022, dentro desse horizonte polarizado. Portanto, a decisão de Lula expõe uma virada estratégica. Menos dependência de aliados, mais identidade partidária e palanques próprios onde o voto decide a eleição nacional. No Paraná, a entrada de Gleisi na majoritária sinaliza que o PT não jogará na defensiva.