Investigação da PF mira e novos parlamentares por corrupção em emendas
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oexpressobr.com.br -------
A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, deflagrou neste mês de janeiro de 2026 a nona fase da Operação Overclean. O principal alvo da nova etapa é o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), suspeito de integrar uma organização criminosa que desvia recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
As investigações, autorizadas pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), resultaram no bloqueio de R$ 24 milhões em bens e contas bancárias vinculadas aos investigados. Ao todo, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal e em cidades da Bahia, incluindo Salvador e o apartamento funcional do parlamentar.
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O esquema de corrupção
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Segundo o relatório da PF, o esquema
funcionava através do direcionamento de emendas parlamentares para municípios específicos. Em troca do repasse, empresas pré-selecionadas venciam licitações fraudulentas com valores superfaturados. A diferença entre o valor real do serviço e o valor pago pela prefeitura era, então, repartida entre políticos, assessores e empresários.
A Polícia Federal aponta que o grupo criminoso atuava de forma capilarizada, com ramificações em prefeituras da Bahia, mas com indícios de replicação do modelo em outros estados como Amapá, Goiás, Rio de Janeiro e Tocantins. Os crimes investigados incluem:
Corrupção ativa e passiva;
Lavagem de dinheiro;
Peculato;
Fraude em licitações;
Organização criminosa.
Desdobramentos e outros nomes
Esta não é a primeira vez que Félix Mendonça Júnior aparece no radar da Overclean; ele já havia sido alvo em junho de 2025. Entretanto, a nova fase traz evidências de pagamentos de propina que teriam ocorrido diretamente ao parlamentar e através de assessores próximos.
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Além de Mendonça Júnior, a investigação mira uma lista crescente de parlamentares e ex-gestores. Nomes como Elmar Nascimento (União-BA) e Dal Barreto (União-BA) também tiveram menções em fases anteriores da operação, que já movimentou bloqueios superiores a R$ 85 milhões ao longo de 2025. No âmbito do STF, os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA) também enfrentam processos avançados por esquemas semelhantes de desvio de verbas orçamentárias.
O outro lado
Em nota oficial, a defesa do deputado Félix Mendonça Júnior reiterou que o parlamentar “jamais negociou a execução de emendas” e que sua atuação sempre foi pautada pela legalidade. O deputado afirmou estar à disposição da Justiça e demonstrou confiança de que sua inocência será provada ao final do processo, criticando a “lentidão” das investigações em um ano eleitoral.
As autoridades federais estimam que o volume total de recursos sob suspeita de fraude em diversos contratos vinculados ao orçamento público já ultrapasse a marca de R$ 1 bilhão.
