Moro abandona entrevista em Ponta Grossa após ser questionado sobre rejeição da direita e da esquerda
por Julio Take no oexpressobr.com.br -----------------
O senador Sergio Moro (União Brasil), pré-candidato ao Governo do Paraná, protagonizou um momento de tensão nesta segunda-feira (19). Durante uma visita oficial a Ponta Grossa, o ex-juiz da Lava Jato abandonou uma entrevista após ser confrontado sobre o isolamento político e a rejeição que enfrenta tanto em setores da direita quanto da esquerda.
O episódio ocorreu durante um evento da Secretaria Municipal de Cidadania e Segurança Pública. Ao ser questionado pela jornalista Mareli Martins sobre como lidava com o fato de possuir resistência em ambos os polos do espectro político, Moro tentou, inicialmente, desviar o foco, citando o seu desempenho em levantamentos de intenção de voto. “Acho que você está mal informada, eu estou liderando as pesquisas”, rebateu o senador, mantendo o discurso de oposição ao governo federal.
No entanto, diante da insistência da reportagem sobre o desgaste de sua imagem — alimentado pela esquerda devido às condenações do presidente Lula e pela direita bolsonarista que o classifica como “traidor” desde sua saída do Ministério da Justiça —, o senador optou por encerrar abruptamente a conversa e se retirar do local sem responder ao questionamento.
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Impasse nas alianças e o “não” de Ratinho Jr.
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Além do mal-estar na entrevista, os bastidores políticos indicam que o caminho de Moro rumo ao Palácio Iguaçu em 2026 está cercado de obstáculos. Informações recentes confirmam que o senador procurou o atual governador, Ratinho Jr. (PSD), em busca de apoio, mas recebeu uma negativa enfática.
Ratinho Jr. teria sinalizado que não há viabilidade de aliança, lembrando que Moro atuou contra os interesses do PSD nas eleições municipais de 2024, especialmente em Curitiba, onde vetou o apoio do União Brasil a Eduardo Pimentel e, no segundo turno, apoiou abertamente Cristina Graeml. Atualmente, o grupo do governador trabalha com nomes como Alexandre Curi, Guto Silva e Rafael Greca para a sucessão estadual.
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Crise na Federação e o fator PP
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A situação partidária de Moro também é delicada. Embora o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, defenda a “irreversibilidade” da candidatura do senador, o parceiro de federação, o Progressistas (PP), rejeita formalmente o nome do ex-juiz. No final de 2025, o diretório estadual do PP no Paraná decidiu, por unanimidade, que não dará aval à candidatura de Moro, gerando um impasse jurídico e político que pode chegar aos tribunais eleitorais.
Enquanto Moro aposta na estratégia de se consolidar como o “único nome de oposição a Lula no estado”, seus adversários internos e externos apontam que a falta de capilaridade política e as pontes quebradas com o bolsonarismo podem isolar sua campanha em uma “terceira via” cada vez mais estreita.
