Neonazistas celebram em público aliado de Hitler na Ucrânia

Símbolo associado à SS nazista, a festa por Bandera e o símbolo do batalhão Azov --------------- Bandera esteve à frente do massacre de poloneses, judeus, russos e ucranianos -------------- Por: Luiz Carlos Azenha na Revista Forum ------ acionalistas, neofascistas e neonazistas ucranianos celebraram publicamente na cidade de Lviv os 117 anos do líder Stepan Bandera, que colaborou com Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. O Exército Insurgente da Ucrânia, que teve em Bandera um de seus líderes, aproveitou a invasão alemã do país para promover matança de poloneses, judeus, russos e ucranianos que eram acusados de colaborar com a União Soviética. Ao menos 100 mil poloneses foram massacrados em diversos vilarejos. Em Lviv, a perseguição vitimou 6 mil judeus. Bandera, assim como Hitler, acreditava que os judeus estavam por trás do bolchevismo e deveriam ser eliminados. Ele aproveitou a invasão alemã da Ucrânia para tentar implantar um estado independente, que contaria com o apoio de Berlim. O catolicismo dos poloneses enfurecia a extrema-direita ortodoxa da Ucrânia. -------------- Morreu envenenado ---------- Na versão oficial ucraniana, Bandera foi envenenado pela KGB quando vivia no exílio, em Munique, então Alemanha Ocidental, em 1959. Em meio a uma grande controvérsia, em 2010 o presidente ucraniano Viktor Yushchenko considerou Bandera e sua organização como “heróis nacionais”. O presidente seguinte, Viktor Yanukovych, eleito com votação massiva no oeste pró-russo da Ucrânia, voltou atrás. Mas depois da revolução colorida de 2014, conhecida como Euromaidan, Bandera voltou a ser cultuado. O golpe de 2014 na Ucrânia foi dado com forte apoio armado dos bandos neonazistas. Eles também estavam na linha de frente da repressão à população pró-russa na guerra civil que antecedeu a invasão russa da Ucrânia, em 2022. -------------- Batalhão Azov ------- O Batalhão Azov, talvez a mais conhecida milícia de extrema-direita, foi oficialmente incorporada às Forças Armadas da Ucrânia. Porém, mantém sua própria página de recrutamento. A homenagem a Bandera em Lviv foi uma reprise da tradicional queima de tochas por homens fardados e encapuzados. O governo de Volodymyr Zelenski fez um grande esforço de propaganda para dizer que os grupos neonazistas representam apenas uma franja diminuta na política da Ucrânia. Antes da invasão russa, no entanto, alguns dos principais órgãos da mídia ocidental fizeram reportagens sobre a forte influência dos neonazistas armados na política local. Em 2014, em Odessa, eles tocaram fogo na Casa dos Sindicatos, resultando na morte de 42 pessoas queimadas vivas. O prédio tinha se tornado refúgio de manifestantes pró-Rússia, depois de vários enfrentamentos entre os dois grupos. Não muito longe do local do massacre ficam as escadarias que o diretor de cinema soviético Sergei Eisenstein tornou famosas numa genial sequência de seu filme o Encouraçado Potemkin.