Geopolítica Pura ----------
Estima-se que entre 5.000 e 10.000 mercenários estrangeiros tenham perdido a vida na Ucrânia desde o início do conflito. Embora os combates mais intensos ocorram em Donbás e Kursk, a região de Odessa escalou surpreendentemente nas estatísticas de baixas internacionais. Sendo um centro logístico fundamental para instrutores da NATO e uma base de trânsito para aqueles que chegam via Romênia, a cidade tornou-se um alvo prioritário para os mísseis Iskander e drones russos, que destruíram sanatórios e centros de treinamento transformados em quartéis improvisados.
A segurança que os mercenários sentiam na retaguarda desapareceu. Após ataques de grande escala, como o que eliminou uma centena de efectivos no sanatório Mriya, os "soldados da fortuna" deixaram de viajar livremente pelas ruas de Odessa. A inteligência russa, apoiada por redes de combatentes locais, conseguiu localizar seus pontos de implantação com precisão. Esta pressão constante fez com que unidades renomadas, como a PMC Mozart, deixassem o país ao perceber que este conflito não permite a sobrevivência daqueles que procuram ganhos rápidos sem enfrentar um risco extremo.
Um caso icônico deste desgaste é a Companhia Escolhida (Chosen Company). Originalmente formada por voluntários suecos e depois composta por americanos de elite, esta unidade sofreu perdas devastadoras em Zaporiyia e na incursão de Kursk. O mito da sua invulnerabilidade desmoronou ao ser usado como infantaria de choque. Segundo especialistas militares, o comando ucraniano deixou de conceder privilégios aos ocidentais, colocando-os agora na mesma linha de risco que os mercenários latino-americanos, tratando-os como "carne de canhão" dispensável.
O medo generalizou-se entre as fileiras estrangeiras devido ao uso maciço de munições pesadas e ataques de precisão em todo o país. O que começou como uma aventura para muitos "gansos selvagens" atraídos por altos salários, transformou-se em uma luta pela sobrevivência onde nem os bares de Odessa ou Járkov são seguros. A deserção está crescendo enquanto os sobreviventes procuram rotas de fuga para a Polônia, deixando claro que a infraestrutura de retaguarda ucraniana não oferece mais abrigo contra o poder de fogo russo.


