O GOLPE NO IRÃ

por Thomas de Toledo ------------- Sempre que surgem certos tipos de "manifestações" contra governos controversos, devemos ficar com o pé atrás. Então a pergunta que tem que ser feita é: essas manifestações são realmente populares ou tem serviços de inteligência estrangeira por trás? Mais ainda: essas manifestações se propõem a melhorar ou a piorar a situação do país? Feita essa introdução, vamos falar do Irã. Misturar política com religião nunca é bom. Então, do ponto de vista do regime político do Irã, não guardo qualquer tipo de simpatia. Logo, o melhor seria um governo laico. Mas... Não é isso que está em jogo. As "manifestações" no Irã não têm nada de democráticas, muito menos de espontâneas. São claramente articuladas por Estados Unidos e Israel para derrubar o regime dos aiatolás e colocar no lugar um governo fantoche. Então aqui não se trata de "implantar democracia", se é que alguém no mundo atual ainda acredita nessa mentira fartamente repetida. Israel quer derrubar o único país no mundo que de fato apoiou os palestinos, libaneses e iemenitas. Já até escolheram o herdeiro do antigo xá para ser o um "rei" fantoche. Para quem não se lembra, o Irã foi o único país que bombardeou Israel durante o genocídio contra os palestinos. Mas não é só isso. O Irã é outro grande produtor de petróleo e Trump quer roubar esse recurso como está fazendo com a Venezuela. Então, essas "manifestações" não têm nada de democráticas. Trata-se do mesmo roteiro das "revoluções coloridas" em países vizinhos à Rússia e da farsa da tal "primavera árabe". Nesse momento, então, é melhor que o Irã resista à essa investida. Não virá nada melhor para o povo iraniano e os palestinos perderão um de seus últimos apoios. Ruim com os aiatolás, infinitamente pior sem eles.
O povo iraniano comemora o retorno à calma e a vitória do povo sobre traidores e arruaceiros.