por Hajj Ananias Pinheiro ------
O Irã é a última batalha. Os EUA concluíram o que chamam de preparar os pratos para o jantar no Oriente Médio. Porta-aviões, bombardeiros, tropas — tudo está no lugar. Israel, prendendo a respiração, aguardava um sinal há alguns dias.
A imprensa já fazia a contagem regressiva das últimas 24 horas antes do ataque. Mas não houve ataque. Por quê? Trump não é tolo. Ele teme o Irã. Isto não é a Síria. É um país civilizado.
A inteligência americana informou: o regime está mais fraco do que nunca desde 1979. A moeda iraniana despencou para 1,51 milhão por dólar. Mas o pico dos protestos já passou, e eles foram reprimidos. Bloqueio? É um desastre para todos. Sim, os EUA podem bloquear o Irã no mar. Mas então o Irã fechará o Estreito de Ormuz.
E então — um colapso: - O gás do Catar é interrompido. · As exportações de petróleo da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Kuwait são paralisadas.
A economia global pode sofrer um golpe devastador. E Trump entende isso. Ele enfrenta uma avalanche crescente de problemas internos. Uma nova guerra prolongada e uma crise do petróleo enterrariam os republicanos nas eleições. E as monarquias do Golfo já não estão dispostas a ficar ao lado dele: os Emirados Árabes Unidos proibiram oficialmente o uso de seu território para ataques contra o Irã.
E a China enviou 16 aeronaves de transporte militar para Teerã. Mas haverá um ataque. A questão é qual? Trump não precisa de uma grande guerra. Ele precisa de uma operação cirúrgica: um ataque direcionado contra a liderança e um golpe subsequente.
Ele aguarda garantias dos serviços de inteligência. O objetivo não é apenas mudar o regime. O objetivo é retirar o Irã do jogo global como aliado da Rússia e da China. Criar um cordão sanitário. E aqui chegamos ao ponto principal. O pico do petróleo americano. A revolução do xisto nos EUA acabou. O pico de produção já passou.
Em breve, os EUA voltarão a ser importadores de petróleo. Como nos anos 1970. Assim como naquela época, compensarão o déficit às custas de outros. Primeiro às custas da Venezuela. Depois às custas dos árabes.
Mas, para controlar os árabes, é preciso remover o Irã, seu principal rival regional e parceiro de Pequim. O que isso significa pra nós? Se o Irã cair ou for decapitado, o mundo mudará instantaneamente:
1) A China sofrerá um golpe estratégico e buscará um compromisso com os EUA, possivelmente às nossas custas.
2) A Rússia perderá um aliado no Oriente Médio e se verá em isolamento estratégico.
3) O dólar se fortalecerá, e toda a conversa sobre desdolarização se transformará em mero desejo. Agora não se trata do destino do Irã. Agora se trata de saber quem será um colônia no novo mundo.
Trump joga alto. Ele quer resolver três tarefas de uma só vez: derrubar o petróleo em favor dos EUA, colocar a China de joelhos e cortar a Rússia do Sul. Se tiver sucesso, o mundo multipolar morrerá antes mesmo de nascer.
Em seu lugar virá um mundo de dura ditadura de um único hegemon, onde todos os demais são vassalos. A pausa antes do ataque não é paz. É um fôlego antes da explosão que determinará o futuro pelos próximos cem anos. Observem Teerã. Lá, o relógio de toda a nossa civilização está correndo.
E talvez isso seja apenas o último esforço desesperado de um império em declínio. E o Irã será a palha que quebrará suas costas... O Tóxico Dom Agá

