Opinião Afro ------------
A crise entre Rússia e Ucrânia entrou em um novo e perigoso estágio. O presidente russo, Vladimir Putin, fez nesta terça-feira um pronunciamento que expõe o colapso prático das negociações de paz e lança acusações diretas contra a União Europeia e os Estados Unidos — incluindo Donald Trump.
Segundo Putin, “não é possível negociar cessar-fogo enquanto os aliados europeus do Ocidente continuam sabotando qualquer tentativa de paz”. O Kremlin afirma que, enquanto sanções e bloqueios econômicos persistirem, a Rússia não vê motivo algum para recuar no campo militar.
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O NÚCLEO DO CONFLITO: DINHEIRO, SANÇÕES E PODER
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Putin colocou sobre a mesa duas exigências centrais:
1. Descongelamento imediato de todos os ativos russos na Europa e nos Estados Unidos.
2. Fim total das sanções contra empresas, bancos e setores estratégicos da Rússia.
Na prática, Moscou acusa o Ocidente de confiscar recursos russos para financiar o próprio esforço de guerra da Ucrânia. Para o Kremlin, isso destrói qualquer base mínima de confiança para negociar.
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A mensagem é clara:
> “Enquanto vocês usam o nosso dinheiro para financiar armas contra nós, nós não vamos parar.”
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ESTRATÉGIA DE GUERRA TOTAL
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O discurso de Putin também revela uma mudança de estratégia. Em vez de pressionar apenas governos, Moscou agora fala diretamente ao povo ucraniano.
O líder russo sinalizou que prepara uma mensagem pública aos ucranianos, prometendo:
Segurança,
Garantias políticas,
Estabilidade econômica
para aqueles que aceitarem se alinhar ao governo russo.
Isso indica uma tentativa de quebrar a coesão interna da Ucrânia, criando divisões entre a população cansada da guerra e o governo de Volodymyr Zelensky.
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ZELENSKY ISOLADO?
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Putin acusa diretamente o presidente ucraniano de estar “dançando conforme a música do Ocidente”, sugerindo que Zelensky estaria prolongando a guerra por interesses externos, e não pela sobrevivência real do seu povo.
No cálculo russo, quanto mais tempo a guerra durar:
Mais a Ucrânia se esgota,
Mais o Ocidente se desgasta politicamente,
E mais Moscou fortalece sua narrativa interna de resistência.
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O RECADO A TRUMP E À EUROPA
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Ao citar Trump, Putin deixa claro que mesmo uma eventual mudança na Casa Branca não mudará o cenário se a Europa continuar pressionando por sanções, congelamentos e isolamento.
Ou seja:
A Rússia só aceita paz se o custo econômico da guerra for removido.
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CONCLUSÃO: O CESSAR-FOGO ESTÁ MAIS DISTANTE
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O que se vê agora não é aproximação, mas radicalização.
A Rússia endureceu, a Europa mantém sanções, os EUA seguem financiando Kiev — e no meio disso tudo, a Ucrânia continua sangrando.
A paz, neste momento, não está sendo negociada.
Está sendo condicionada a quem vai ceder primeiro.
E, pelas palavras de Putin, não será Moscou.
