Sérgio Moro: como o ex-juiz ordenou escutas ilegais de autoridades

por PT do PR ---------- A Polícia Federal descobriu, em busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, a prova documental de que o ex-juiz Sergio Moro grampeou conversas de delatores com autoridades que só poderiam ser investigadas e julgadas por tribunais superiores. Um dos alvos do grampo feito em 2005 foi o então presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), Heinz Herwig, conforme despacho judicial, que comprova a ordem de monitoramento. "Ainda pior do que extrapolar seus poderes é não agir conforme a lei quando esses grampos revelam crimes", comenta José Roberto Toledo, do Podcast UOL. "Os próprios delatores acusam o juiz de mandá-los fazer os grampos não para processar as autoridades, mas para chantageá-las." O material veio à tona após a ordem de busca e apreensão expedida pelo ministro Dias Toffoli —a primeira já realizada em uma Vara Federal— depois de sucessivas solicitações do Supremo Tribunal Federal por documentos, fitas e gravações que não haviam sido encaminhados à Corte, mesmo após a saída de Moro da magistratura. O primeiro a levar as queixas ao Supremo foi o ex-deputado estadual Tony Garcia, que firmou acordo de delação premiada com Moro há 21 anos após passar cerca de 30 dias preso. "Tony Garcia sai da cadeia e passa a prestar contas (ao ex-juiz Sergio Moro) em tempo integral. Ele era mais do que um delator, era um informante", afirma Daniela Lima, repórter e colunista do UOL. "Um policial federal foi colocado no escritório de Tony Garcia em Curitiba. A ele cabia supervisionar as atividades do ex-deputado e instalar escutas ambientais. O escritório virou uma 'grampolândia'", diz a colunista. As autoridades gravadas só poderiam ser investigadas mediante autorização do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Atual senador do Paraná, Moro nega as acusações e afirma que se baseiam em relatos fantasiosos de criminosos condenados.