A FOLHA/UOL TENTA ARRUINAR O STF E IMPEDIR A REELEIÇÃO DO METALÚRGICO

Por Walter Falceta ---------- TUDO ESMIUÇADO: POR QUE A FOLHA/UOL TENTA ARRUINAR O STF E IMPEDIR A REELEIÇÃO DO METALÚRGICO? ---------------- Trato da Folha/UOL como exemplo máximo do "golpismo eterno", termo que cairia bem numa hipotética análise de Umberto Eco sobre o terrorismo midiático no Brasil. A ideia é não incensar o bonequinho tofoleto, tampouco qualquer um de seus pares. Sabemos que não são beatos, e o que fizeram em verões passados. O que salta aos olhos é o empenho desesperado dos magnatas da Barão de Limeira em alçar o caso Master à categoria de maior escândalo da história do Brasil. São manchetes e mais manchetes que tentam, de alguma forma, fazer com que Vorcaro, o aliado banqueiro de Nogueira e Rueda, coronéis do centrão, pareça o mecenas da Suprema Corte e operador financeiro indireto do governo. A Folha UOL é uma "pauteira" de grande parte da imprensa nacional, especialmente por simular imparcialidade e busca equânime dos fatos. Seguem-lhe inúmeros outros jornais, jornalecos, portais, portalecos e outros canais do submundo digital. O Grupo Folha, historicamente à testa dos interesses da elite bandeirante, define a narrativa política a ser inculcada nas massas médias, guias invisíveis do voto popular. Nesse sentido, a Folha foi um dos braços, inclusive físicos, da Ditadura Militar. Em suas caminhonetes, os agentes da repressão iam buscar pais e mães de família que, na sequência, seriam supliciados e assassinados por figuras tenebrosas, como Paranhos Fleury e Brilhante Ustra. Com requintes de grosseria, antes da eleição de 2002, o não saudoso Otavio Frias Filho tentou humilhar o então candidato Lula em um almoço na sede da empresa, na Barão de Limeira. Não logrou êxito. Em tempo recente, o UOL contratou um batalhão de articulistas de direita, como Fucs, Borges, Sabino, a fim de alimentar a retórica diária de que o governo federal não presta e seus defensores são doidivanas apartados da realidade. Para isso, vale até mesmo trair os interesses declarados do capital produtivo, considerando que o Brasil tem taxa mínima recorde de desemprego, inflação controlada, renda em ascensão e horizonte plácido para o empreendedorismo. Então, por qual motivo desprezam todas essas pautas no noticiário? Por que parece que o Brasil vive, todos os dias, mergulhado no escândalo do caso Master? Primeiramente, é preciso compreender que o capitalismo neoliberal não é plano, abriga competidores internos, parte dos quais atua em regime de cumplicidade com o crime ordinário cotidiano. A Folha é a irmã midiática da Faria Lima. É fundamental, portanto, que diluam os pecados letais do ecossistema de lavagem de dinheiro, da gestão de fundos à dispersão de valores por fintechs. É preciso, segundo esse protocolo, desviar o olhar público de uma verdade incômoda: a turma da "baleia" tem relações assustadoramente incestuosas com o crime organizado. Todo ele. As facções roubam cargas, traficam drogas, sequestram pessoas, promovem extorsões e praticam crimes cibernéticos. No ramo pé-de-chinelo, roubam Celtas em Itaquera, assaltam a diarista que retorna ao Capão Redondo, cobram pedágio de pequenos comerciantes do Brás. E toda essa dinheirama precisa ser legalizada. É aí que ganham protagonismo os janotas da lavanderia express da FL. Não são todos eles, é verdade. Mas muitos atuam nesse ramo de negócios. Do outro lado da notícia, quando governos progressistas, como o do metalúrgico pernambucano, obtêm avanços sociais, econômicos ou ambientais, imediatamente são prejudicados os interesses seculares das elites. De novo, nada é tão simples. Há dimensões distintas de projetos nos regimes estruturados no modelo neocapitalista. Com a redução do desemprego, aumento da renda e programas sociais, há mais consumidores com poder de compra. O varejo se refestela, inclusive o digital. Beneficia-se também a indústria doméstica ligada ao mercado interno. Setores de bens de consumo duráveis e não-duráveis lucram indiretamente com programas de crédito e aumento real do salário mínimo. Ou seja, a demanda interna é impulsionada, o que aumenta a produção industrial e as vendas locais. O setor financeiro e os bancos privados, ao contrário, odeiam as políticas progressistas. Regulação de transações, juros mais baixos, programas de crédito social ou tributação progressiva reduzem margens de lucro em diversos segmentos. Os bancos preferem governos que favoreçam desregulamentação, juros altos e mínima intervenção social, o que eleva lucros financeiros. O agronegócio também se incomoda com o metalúrgico. Políticas de preservação ambiental, combate ao desmatamento e fortalecimento de órgãos reguladores, como o Ibama e ICMBio, podem restringir expansão indiscriminada de pastagens e monoculturas. Quem também se estorva? Setores de alta tecnologia ou infraestrutura privatizada. São empresas que dependem de privatizações ou de contratos - muitas vezes, fraudulentos - com governos neoliberais. O sonho é transformar até o SUS numa grande Sabesp. Ao associar obsessivamente eventos como o caso do Banco Master ao STF, há um esforço de deslegitimar as instituições que aplicaram decisões contra figuras da extrema-direita, como Jair Bolsonaro. Esse tipo de narrativa enviesada tem dois objetivos. Desacreditar a Justiça, isto é, plantar a ideia de que o STF é parcial ou corrupto, enfraquecendo a confiança pública na alta magistratura. Busca também fortalecer a narrativa política da oposição, ao ligar supostos “escândalos” ao governo progressista e seus aliados. A Folha se dedica, dia e noite, pois, a criar um clima de suspeição generalizada. Nesse paradigma, o grande jornal paulista (de novo, fonte de referência de expressiva parte da mídia corporativa brasileira) procura afastar do escrutínio público figuras de duvidosa conduta em seus negócios públicos e privados. A Folha deliberadamente esconde os malfeitos do governador Tarcísio de Freitas, especialmente no campo da educação, da gestão de recursos hídricos e da segurança pública. Para não dar na vista, o turista incidental recebe tratamento leve, distante, lateral, como se nenhum de seus "erros" merecesse admoestação. A Folha esconde, em tijolinhos internos pixelizados, todos os inúmeros negócios privados suspeitos de Flavio Bolsonaro. Não se investiga mais a loja de chocolate nem a compra de imóveis com dinheiro vivo. Se algo do gênero ocorresse no clã Lula da Silva geraria faniquitos diários nas páginas do portal e do informativo impresso. Como são da lavra dos Bolsonaro, são varridos para debaixo do tapete, como ensinava o não saudoso Rubens Ricúpero. Por fim, a Folha insiste em publicar pesquisas claramente induzidas, fraudulentas, com resultados absurdos, como aquelas da Futura/Apex, constituídas claramente por aliados patrocinadores do bolsonarismo. Basta escarafunchar para descobrir quem são os responsáveis por esse negócio medonho de manipulação de números. A ideia, como sempre, é manter reputação, com pesquisas mais próximas da realidade (como o Datafolha), mas semear simultaneamente a suspeita, criando a ideia de um Lula em palpos de aranha, desacreditado, em desvantagem. A Folha trabalha, 24/7 para gerar desmobilização ou ansiedade entre eleitores de esquerda, ao mesmo tempo, em que reforça a narrativa de viabilidade ou necessidade da extrema-direita. O grande problema da Folha e de seus irmãos da mídia monopolista é que o Brasil vai bem, obrigado. E se há avanços sociais, garantia de direitos, ampliação de acessos, haverá descontentamento evidente das elites atrasadas, embarcadas na nave do neofascismo. A história se repete, sempre como tragédia, sempre como farsa.