por Mattheus Hermanny ---------------
Investigação da RPC e Gazeta do Povo havia identificado 97 funcionários fantasmas na folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. A descoberta se deu por meio da série de reportagens Diários Secretos, de 2010, que analisou mais de 720 diários oficiais do Poder Legislativo estadual, publicados entre 1998 e 2009. Foram mais de R$ 250 milhões desviados dos cofres públicos.
Citados diretamente no esquema, supostamente pela utilização de servidores como "máquina político-eleitoreira e contratação de funcionários fantasmas para desviar dinheiro público, respectivamente, o então 1⁰-secretário da Assembleia, deputado Alexandre Curi, teve processo julgado improcedente em 2020, e arquivado em relação ao ex-presidente Nelson Justus, também naquele ano.
O ex-diretor-geral da Assembleia, Abib Miguel, o Bibinho, apontado como um dos chefes do esquema, fez um acordo com o Ministerio Público do Estado do Paraná (MP-PR), em julho de 2024. Ele admitiu os crimes e concordou em devolver R$ 258 milhões aos cofres públicos (valor do desvio corrigido), além de pagar uma multa de mais de R$ 3,6 milhões .
Outros ex-diretores (Cláudio Marques da Silva e José Ary Nassif) ainda são réus na ação.
Em janeiro de 2026, o ministro Afrânio Vilela, do STJ (Superior Tribunalde Justiça), considerou que a anulação das provas pelo TJ-PR (Tribunal de Justiça do Estado do Paraná) foi muito genérica. Além disso, ele levou em conta uma decisão de 2024 do Supremo Tribunal Federal (STF) que já havia validado as provas obtidas na Assembleia Legislativa, contrariando o argumento de que a busca e apreensão precisava de autorização de um tribunal superior .
Com isso, o processo voltou para o TJ-PR, que agora precisa reanalisar o caso, e o Ministério Público do Paraná (MP-PR) aguarda um novo julgamento. Se as provas forem consideradas válidas novamente, isso pode mudar o resultado da ação de 2010, que pedia a condenação por improbidade administrativa .
