Via Moz na Diáspora ----------------
Em dois mil e onze, a Líbia foi “libertada”. Esse foi o discurso. A OTAN bombardeou o país sob o argumento de proteger civis. Muammar Kadhafi foi capturado e executado. A imagem correu o mundo como símbolo de vitória da democracia. Mas o que aconteceu depois quase nunca vira manchete.
O Estado líbio simplesmente colapsou. O país que tinha estabilidade institucional, controle territorial e uma das maiores rendas per capita da África virou território de milícias armadas, governos paralelos e guerra interna permanente. O tráfico humano explodiu. O terrorismo encontrou espaço. O petróleo virou disputa internacional. A população ficou no meio do caos.
A intervenção estrangeira não construiu nada. Desmontou. A promessa era liberdade. O resultado foi fragmentação. A promessa era proteção. O resultado foi insegurança crônica. Quando um Estado é destruído sem um plano real de reconstrução soberana, o vazio não fica vazio por muito tempo. Ele é ocupado por interesses.
A Líbia virou exemplo do que acontece quando grandes potências entram, derrubam e vão embora deixando ruínas. A pergunta não é se o regime anterior tinha problemas. A pergunta é: o povo ficou melhor depois da intervenção?
