Deputado Arilson Chiorato, líder da Oposição na ALEP. Foto: Orlando Kissner
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por Esmael Morais em seu blog ------------
O líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), deputado Arilson Chiorato (PT), vai cobrar do governo Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) explicações sobre convênios prometidos “no giro do secretariado” pelos municípios e a execução do orçamento abaixo do que foi anunciado. Nesta terça-feira (24), às 14h30, a Secretaria da Fazenda leva ao plenário da ALEP o Relatório de Gestão Fiscal do 3º quadrimestre de 2025 e o consolidado do ano, sob condução do secretário Norberto Ortigara e do diretor-geral Luiz Paulo Budal (PSD).
Chiorato antecipou ao Blog do Esmael que o foco é o que ele chama de “estouro de convênios”, quando o Executivo grava promessas, apresenta prioridades e cria expectativa local, mas não garante lastro orçamentário na lei e na execução. O deputado também quer mapear quanto ficará de “restos a pagar” para o próximo governo, a partir de 2027, a conta que costuma aparecer depois da foto e do palanque.
O blog teve acesso a dois casos paradigmáticos usados pela oposição como vitrine do problema. Em Paranaguá, no litoral, a promessa atribuída ao roteiro do governo chegaria a R$ 340 milhões. Em Paranacity, no Noroeste, a prioridade teria sido indicada em R$ 58 milhões, mas apenas R$ 1 milhão acabou previsto no orçamento estadual, segundo a documentação reunida.
Para a oposição, o ponto não é só o número, é o método. Se o compromisso vira vídeo, mas não vira rubrica consistente e cronograma, a política vira propaganda, e a prefeitura fica com a pressão do morador na ponta.
Depois de 2026, a conta cai no colo do prefeito, que, ludibriado por promessas não previstas no orçamento, pode comprometer a própria reeleição ou a de um aliado em 2028.
A audiência fiscal, por sua vez, é o momento em que a Sefa expõe a fotografia do caixa, receitas, despesas, limites e resultados. É ali que se mede quanto do discurso de investimento se sustenta em execução, e quanto depende de “empenho” que só se realiza no futuro.
No Paraná, “restos a pagar” são despesas empenhadas até 31 de dezembro e pagas em exercícios seguintes, um termômetro importante para saber o que foi contratado no papel e empurrado para frente.
Na ALEP, a cobrança chega em hora sensível: 2026 encurta decisões, pressiona cronogramas e amplia o custo político de promessa sem entrega. Para Chiorato, a oposição vai usar os números para confrontar o marketing de obras do Palácio Iguaçu com a planilha real do orçamento.
Dito isso, convênio sério não pode depender de câmera ligada. Se o Estado promete, tem de reservar, empenhar, executar e prestar contas, porque a conta sempre volta para o cidadão, e a democracia não combina com orçamento de faz de conta.
