Requião Filho acusa governo de atropelar órgãos de controle para vender a Celepar

Mesmo após o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) suspender o leilão da Celepar por riscos à segurança de dados gerenciados pela estatal, o governo do Paraná “mexeu os pauzinhos” para garantir a venda da empresa pública por meio da B3, a Bolsa de Valores em São Paulo. A decisão é criticada pelo deputado Requião Filho (PDT), que voltou a subir o tom contra a insistência do Governo em levar adiante a privatização da companhia. Requião Filho, que acionou o Ministério Público (MPPR), o Tribunal de Contas (TCE-PR) e a Casa Civil para questionar a privatização, defende que o governo está fatiando o patrimônio público do Paraná e tratando o Estado como um grande balcão de negócios. "O que estamos vendo é uma manobra para burlar decisões de órgãos de controle. O Tribunal de Contas alertou sobre a gravidade de colocar informações sigilosas de milhões de paranaenses nas mãos da iniciativa privada, mas o governo prefere fingir que nada está acontecendo. Quando eu digo que existe um conluio entre os poderes do Paraná, me refiro a essas ações cada vez mais graves e escancaradas”, critica. *Risco aos dados* - Requião Filho tem alertado que grande parte da população ainda não compreendeu a real gravidade da venda da Celepar. A empresa é responsável por armazenar dados sensíveis, que vão desde registros criminais e informações de saúde até dados fiscais, administrativos e de trânsito de todos os cidadãos do estado. O projeto de privatização da empresa (Lei 22.188/2024) passou pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em regime de urgência, em novembro de 2025, não permitindo uma discussão ampla e consciente da população. "Não se trata apenas da venda de uma empresa, mas da entrega da chave do cofre de informações do Paraná. Com a privatização, o Estado perde o controle sobre quem acessa esses dados e como eles serão utilizados. É uma carta branca e um caminho sem volta, que compromete a segurança pública e a privacidade das pessoas", pontuou Requião Filho. Na tentativa de justificar a venda, a propaganda do governo do Paraná sustenta que a gestão privada permitirá à empresa se livrar de supostas “amarras burocráticas que afetam sua competitividade e velocidade de resposta”. Requião Filho destaca que esse argumento só repete um discurso já conhecido para mascarar erros graves de gestão. -------------------------- Foto: Orlando Kissner/Alep e José Fernando Ogura/Arquivo AEN