Via Walter Falceta
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O caso mais rumoroso ocorreu no sábado, no bairro Monte Cristo, na nazistificada Florianópolis.
Segundo líderes comunitárias, o povo local comemorava o aniversário de um ano de uma pequena barbearia quando chegou um comando da polícia militar.
Supostamente, estavam lá por causa da "perturbação do sossego". Detalhe: ainda é dia quando a tropa irrompe, com estardalhaço, em trajes que lembram muito os do letal ICE de Donald Trump.
A abordagem é rápida e agressiva, como se os populares fossem membros de um poderoso exército inimigo. Armas apontadas, gritos e spray de pimenta.
As pessoas saem correndo do ambiente, asfixiadas, claramente empenhados em atiçar o conflito.
Iniciam-se as agressões. Um policial agarra uma mulher pelo pescoço. Outro, covardemente, golpeia suas costas com um rifle. Ela cai.
Um homem tenta socorrê-la, mas é enforcado por outro policial. Ele usa o joelho sobre o pescoço do cidadão, como fizeram os assassinos de George Floyd.
A mulher grita desesperada e o fardado lhe desfere um tapão no rosto.
Em Braço do Norte, no sul do Estado, seguindo-se a receita nazifascista, as tropas atacaram no mesmo sábado, em um posto de gasolina.
Um jovem sai da loja de conveniência com as mãos erguidas, submetendo-se, sem resistência, a um fardado que aponta um rifle calibre 12 contra seu peito.
Nesse momento, a esposa da vítima tenta filmar a abordagem violenta. Um segundo membro da milícia oficial, então, avança, imobiliza-a com violência e a atira contra uma placa metálica. Antes de cair, ela bate e fere a cabeça.
O horror prossegue. O jovem, já algemado e deitado de bruços, tem o pescoço pressionado pelo joelho de um botinudo. Tem dificuldade para respirar. Novamente, emula-se a cena chocante do ataque a George Floyd.
Agora, a abordagem avança para a tortura. Outro homem da "lei" pisa, com força, várias vezes, no tornozelo do rapaz.
Tudo que se registra tem origem na coragem de alguns resistentes munidos de celulares.
Sob a gestão do governador fascista-bolsonarista Jorginho Mello, ocorreu o vergonhoso desmonte do programa de câmeras corporais da Polícia Militar.
A barbárie está liberada. No estado em que as "gentes de bem" deportam nordestinos, extinguem políticas afirmativas e assassinam cães, 2025 se encerrou com 96 mortes em ações policiais, dobrando em quatro anos o número de ocorrências dessa natureza.
Em Florianópolis, as mortes em supostos confrontos se elevaram em 160% depois que o bolsonarismo decidiu retirar as câmeras e autorizar o vale-tudo dos pelotões fardados.
Santa Catarina, hoje, não pretende apenas se separar do Brasil e da brasilidade, mas também do contrato social e do protocolo da civilidade.
A Santa Catarina de 2026 é muito mais a Alemanha de 1936. E nada se faz. Uma secessão que ainda não é territorial, mas que já se consuma no campo dos costumes, da ética e da moral. É a desintegração vertiginosa do Estado democrático de direito.
O horror institucionalizado.
