Irã já venceu EUA mais de uma vez, aponta livro “A Revolução Iraniana”

por Pedro Carrano em vigilia.com ---------- Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os anos 1950 foram de modificações e adequações na ordem mundial, a partir da divisão em dois blocos e da Guerra Fria, com a expansão da economia estadunidense, buscando garantir pontos de apoio no Oriente Médio. Como ensina o economista francês François Chesnais, em A Mundialização do Capital, os anos de 1945 a 73 representaram o ciclo de acumulação ininterrupta do Capital, o que ocorreu nos EUA, na Europa, no Japão e, acrescento, mesmo em algumas economias da América Latina. Foi um período de investimentos do Estado, uma vez que o mundo capitalista não queria ficar para trás do mundo socialista em ascensão, francamente em ascensão após o êxito da vitória da União Soviética sobre o nazismo. A URSS consolidava-se como uma retaguarda estratégica para as forças populares em todo o mundo, sendo uma alternativa real ao bloco capitalista. ---------------- Quando não há sujeitos, apenas objetos -------‐-- Neste momento, ler a História do Irã é perceber o protagonismo na História por parte da classe trabalhadora de um país, algo muito mais complexo e profundo que os rótulos e a reificação da mídia empresarial ao se referir aos países do Oriente Médio. No Irã, nos anos 1950, uma classe operária industrial começou a forjar suas primeiras lutas. Em 1951, o primeiro ministro Mohammed Mossadegh nacionaliza o petróleo, com amplo apoio popular, vindo a sofrer um golpe de Estado em 1953, quando o país passa então por uma ditadura brutal sob influência do governo dos EUA, que ajudou a restaurar a monarquia da dinastia Pahlevi, o que perduraria ao longo de 26 anos. Tanto ontem como hoje, é fato: o imperialismo estadunidense nunca aceitou nenhuma expressão de governo soberano, ainda mais quando se trata de um país com reservas de petróleo. No caso do Irã, descobertas ainda no século 19. Como se sabe, a economia mundial vive nos anos 1970 uma crise de superprodução, fazendo com que os países em torno da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em 1973, passassem a controlar a oferta de petróleo mundial. O Irã passa a viver um processo consistente de industrialização, crescimento de mais de 30% ao ano e, como contradição, em 1977, conhece as grandes greves de uma classe trabalhadora que se formava. Em 1978, a classe trabalhadora entra em cena contra a dinastia Pahlevi. Instagram A agência de notícias que desperta para novos olhares Post Todos as notícias Irã já venceu EUA mais de uma vez, aponta livro “A Revolução Iraniana” Foto do escritor: Pedro Carrano Pedro Carrano há 24 horas 4 min de leitura Por Pedro Carrano Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os anos 1950 foram de modificações e adequações na ordem mundial, a partir da divisão em dois blocos e da Guerra Fria, com a expansão da economia estadunidense, buscando garantir pontos de apoio no Oriente Médio. Como ensina o economista francês François Chesnais, em A Mundialização do Capital, os anos de 1945 a 73 representaram o ciclo de acumulação ininterrupta do Capital, o que ocorreu nos EUA, na Europa, no Japão e, acrescento, mesmo em algumas economias da América Latina. Foi um período de investimentos do Estado, uma vez que o mundo capitalista não queria ficar para trás do mundo socialista em ascensão, francamente em ascensão após o êxito da vitória da União Soviética sobre o nazismo. A URSS consolidava-se como uma retaguarda estratégica para as forças populares em todo o mundo, sendo uma alternativa real ao bloco capitalista. Quando não há sujeitos, apenas objetos Neste momento, ler a História do Irã é perceber o protagonismo na História por parte da classe trabalhadora de um país, algo muito mais complexo e profundo que os rótulos e a reificação da mídia empresarial ao se referir aos países do Oriente Médio. No Irã, nos anos 1950, uma classe operária industrial começou a forjar suas primeiras lutas. Em 1951, o primeiro ministro Mohammed Mossadegh nacionaliza o petróleo, com amplo apoio popular, vindo a sofrer um golpe de Estado em 1953, quando o país passa então por uma ditadura brutal sob influência do governo dos EUA, que ajudou a restaurar a monarquia da dinastia Pahlevi, o que perduraria ao longo de 26 anos. Tanto ontem como hoje, é fato: o imperialismo estadunidense nunca aceitou nenhuma expressão de governo soberano, ainda mais quando se trata de um país com reservas de petróleo. No caso do Irã, descobertas ainda no século 19. Como se sabe, a economia mundial vive nos anos 1970 uma crise de superprodução, fazendo com que os países em torno da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em 1973, passassem a controlar a oferta de petróleo mundial. O Irã passa a viver um processo consistente de industrialização, crescimento de mais de 30% ao ano e, como contradição, em 1977, conhece as grandes greves de uma classe trabalhadora que se formava. Em 1978, a classe trabalhadora entra em cena contra a dinastia Pahlevi. A análise de Coggiola (Editora Unesp, 2007), sinaliza que as massas no Irã conseguiram derrotar um exército municiado pelos EUA, o que infundiu confiança nas forças islâmicas. Para os EUA, tratou-se da perda de um peão estratégico, com o início da República Islâmica, que influencia os países árabes e ameaça se espalhar, tendo a movimentação da classe trabalhadora como motor e a religião como elemento de coesão. Nos anos 80, entra um período histórico que a mídia transnacional tentou encobrir. Os EUA conspiram pela guerra entre Irã e Iraque, sendo Saddam Hussein simplesmente a cria dos EUA para conter o Irã e, segundo o livro de Coggiola, o líder iraquiano contava que em três semanas conseguiria controlar o país vizinho. Em 1982, forças iraquianas recuaram em todas as frentes, o que revela a tenacidade e a cultura do povo iraniano. ------------------ Resistência ------------- Instagram A agência de notícias que desperta para novos olhares Post Todos as notícias Irã já venceu EUA mais de uma vez, aponta livro “A Revolução Iraniana” Pedro Carrano há 1 dia 4 min de leitura Por Pedro Carrano Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os anos 1950 foram de modificações e adequações na ordem mundial, a partir da divisão em dois blocos e da Guerra Fria, com a expansão da economia estadunidense, buscando garantir pontos de apoio no Oriente Médio. Como ensina o economista francês François Chesnais, em A Mundialização do Capital, os anos de 1945 a 73 representaram o ciclo de acumulação ininterrupta do Capital, o que ocorreu nos EUA, na Europa, no Japão e, acrescento, mesmo em algumas economias da América Latina. Foi um período de investimentos do Estado, uma vez que o mundo capitalista não queria ficar para trás do mundo socialista em ascensão, francamente em ascensão após o êxito da vitória da União Soviética sobre o nazismo. A URSS consolidava-se como uma retaguarda estratégica para as forças populares em todo o mundo, sendo uma alternativa real ao bloco capitalista. Quando não há sujeitos, apenas objetos Neste momento, ler a História do Irã é perceber o protagonismo na História por parte da classe trabalhadora de um país, algo muito mais complexo e profundo que os rótulos e a reificação da mídia empresarial ao se referir aos países do Oriente Médio. No Irã, nos anos 1950, uma classe operária industrial começou a forjar suas primeiras lutas. Em 1951, o primeiro ministro Mohammed Mossadegh nacionaliza o petróleo, com amplo apoio popular, vindo a sofrer um golpe de Estado em 1953, quando o país passa então por uma ditadura brutal sob influência do governo dos EUA, que ajudou a restaurar a monarquia da dinastia Pahlevi, o que perduraria ao longo de 26 anos. Tanto ontem como hoje, é fato: o imperialismo estadunidense nunca aceitou nenhuma expressão de governo soberano, ainda mais quando se trata de um país com reservas de petróleo. No caso do Irã, descobertas ainda no século 19. Como se sabe, a economia mundial vive nos anos 1970 uma crise de superprodução, fazendo com que os países em torno da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em 1973, passassem a controlar a oferta de petróleo mundial. O Irã passa a viver um processo consistente de industrialização, crescimento de mais de 30% ao ano e, como contradição, em 1977, conhece as grandes greves de uma classe trabalhadora que se formava. Em 1978, a classe trabalhadora entra em cena contra a dinastia Pahlevi. A análise de Coggiola (Editora Unesp, 2007), sinaliza que as massas no Irã conseguiram derrotar um exército municiado pelos EUA, o que infundiu confiança nas forças islâmicas. Para os EUA, tratou-se da perda de um peão estratégico, com o início da República Islâmica, que influencia os países árabes e ameaça se espalhar, tendo a movimentação da classe trabalhadora como motor e a religião como elemento de coesão. Nos anos 80, entra um período histórico que a mídia transnacional tentou encobrir. Os EUA conspiram pela guerra entre Irã e Iraque, sendo Saddam Hussein simplesmente a cria dos EUA para conter o Irã e, segundo o livro de Coggiola, o líder iraquiano contava que em três semanas conseguiria controlar o país vizinho. Em 1982, forças iraquianas recuaram em todas as frentes, o que revela a tenacidade e a cultura do povo iraniano. Resistência Obras como a de Coggiola e outros materiais ajudam a entender reações como as do Irã como de sujeitos, e não apenas objetos a serviço do rótulo midiático. Duas certezas importantes surgem até o momento desde o ataque do consórcio EUA/ Israel contra o país persa: a imensa preparação e capacidade de resposta iraniana, mudando o eixo estratégico da guerra e a necessidade por parte do imperialismo de se apossar e dominar a infraestrutura produtiva e comercial do país. O Irã é o único território que oferece uma conexão terrestre contínua entre o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico, e simultaneamente entre a China e o Mediterrâneo. Ao norte, a Rússia busca uma saída para o sul que evite as sanções ocidentais. Ao leste, a China precisa de uma rota terrestre segura para a Europa que desvie da marinha dos EUA. O primeiro é o Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul (INSTC), o projeto que Rússia, Índia e Irã têm impulsionado durante anos. Trata-se de uma rede multimodal de 7.200 quilômetros que conecta Mumbai a São Petersburgo por meio dos portos iranianos e do Mar Cáspio. Os dados são eloquentes: esta rota reduz os tempos de trânsito entre 40% e 60%. A disputa, nesse sentido, é por quem controlará o sistema circulatório da economia global nas próximas décadas. Como sintetiza artigo no site Jacobin, estamos diante de uma guerra de classe, pelo domínio de classe sobre outra nação: “A melhor maneira de encarar essa guerra é como um esforço conjunto de segmentos das classes dominantes dos Estados Unidos, de Israel, da Europa e dos países árabes, que estão empenhadas na dominação global e regional. O núcleo dessa aliança reside nos Estados Unidos e em seu aparato de segurança, que é grande demais para ser controlado por outros”, afirma artigo publicado na revista Jacobin. E, gostemos ou não, pela primeira vez no século 21, o imperialismo dos EUA não encontra um adversário fácil, mas um resistente à altura. ----------------------------- REFERÊNCIAS: CHEIATO, Karime. Por que o assassinato de líderes não desestabilizou o Irã? Uma análise a partir da estrutura interna e regional, 9 de março de 2026. ------- CHESNAIS, François. A Mundialização do Capital. Xamã, 1996. ----------- https://jacobin.com.br/2026/03/a-guerra-de-netanyahu-contra-o-ira-tambem-e-a-guerra-das-elites-neoconservadoras-globais/