Por Militância & Redes -----------
Após a ligação de quase uma hora entre Donald Trump e Vladimir Putin, começam a se desenhar os contornos de um desfecho que muitos analistas já antecipavam, mas que a máquina de propaganda ocidental se recusava a admitir: a agressão estadounidense-sionista ao Irã está com os dias contados. As informações que circulam nos principais canais de mídia, tanto do ocidente coletivo quanto do sul global, apontam para um cenário de exaustão militar, isolamento político e derrota estratégica para a coalizão liderada pelos Estados Unidos.
Na conversa, Putin ofereceu "visões sobre como resolver o conflito no Irã". Este gesto, longe de ser uma mera cortesia diplomática, sinaliza uma mudança de eixo geopolítico. Quem dita os termos para o fim do conflito agora é Moscou, não Washington. O custo astronômico da operação, que em apenas nove dias já ultrapassa a casa dos 100 bilhões de dólares, será arcado integralmente pelos cofres americanos. Seus "sócios" no Golfo Pérsico, que tiveram suas instalações sabiamente alvejadas pelos mísseis persas por abrigarem bases dos EUA, agora amargam prejuízos próprios e uma desconfiança crescente sobre a "proteção" oferecida pela Casa Branca.
As evidências dessa retirada estratégica são claras e se acumulam. Começam com a entrevista de Trump à CBS, onde o presidente americano, visivelmente desconfortável, declarou que a guerra "está quase no fim". Ontem mesmo, a Bloomberg e a Reuters, veículos alinhados ao establishment financeiro global, soltaram notas sobre um suposto plano dos EUA de destruir o programa nuclear iraniano com um comando terrestre, uma narrativa evasiva para tentar vender uma "vitória de Pirro" à opinião pública. Essas manobras de relações públicas não escondem a realidade no terreno: o Irã não se rendeu, sua população resiste, e suas forças armadas continuam a infligir danos significativos à coalizão inimiga.
Internamente, a conta também chega. A popularidade do Partido Republicano, medida em plataformas como a Polymarket, começou a despencar, enquanto a dos Democratas reage. As eleições de meio de mandato, que antes pareciam garantidas para Trump, agora se transformam numa armadilha. Uma derrota no Senado, com uma oposição democrata radicalizada e ciente do buraco econômico em que o país se meteu, pode condenar o resto do mandato republicano à paralisia. A guerra que deveria unir o país em torno da bandeira está, na verdade, acelerando sua fratura política.
Enquanto isso, do outro lado do tabuleiro, Putin move suas peças com a precisão de um mestre do xadrez. Aproveitando a crise global nos setores de petróleo e gás, provocada pela própria agressão ao Irã, o líder russo declarou que irá suspender o fornecimento de energia à Europa. O efeito foi imediato: Trump, encurralado pela inflação e pelo desgaste interno, afirmou que irá abrandar as sanções contra a Rússia. Ou seja, os EUA estão pagando para que a Rússia não agrave ainda mais a crise energética que eles mesmos criaram.
Tudo leva a crer que os EUA e seus aliados sionistas não lograram o êxito esperado. A agressão ao Irã, que deveria ser um passeio militar, transformou-se num atoleiro estratégico. O que estamos presenciando não é o fim da guerra com uma vitória americana, mas o reconhecimento tácito de que a era das intervenções unilaterais no Oriente Médio chegou ao seu limite. E a ligação de Trump a Putin foi o primeiro passo oficial nessa longa e humilhante retirada.
