Gleisi: “Anistia a golpistas é incentivo para novos ataques à democracia”

Durante sessão do Congresso que analisa o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei da Dosimetria, a deputada federal Gleisi Hoffmann classificou a votação como “uma vergonha para o país”. Segundo a parlamentar, as medidas em debate representam um grave risco à Constituição e à democracia brasileira. “É uma vergonha porque atenta contra a Constituição e contra a nossa democracia. Passar pano para os golpistas é a mesma coisa que dizer: façam de novo, depredem novamente o Congresso Nacional, o Supremo e o Palácio do Planalto para tentar tirar um presidente eleito”, afirmou. Gleisi também atribuiu a escalada de tensão política e a disseminação do ódio no país ao período do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu ouvi falar de ódio aqui, mas não somos nós que carregamos ódio no coração. O ódio entrou na política quando Bolsonaro presidiu esse país. Foi o instrumento da disputa e esteve retratado no que fizeram nesta Casa”, declarou. A deputada ainda defendeu a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o Banco Master, afirmando que o debate pode contribuir para esclarecer relações políticas e financeiras. “Nós não temos medo. É importante que os bolsonaristas expliquem por que o Banco Central, sob Bolsonaro, autorizou operações envolvendo o Master e todas as irregularidades apontadas. Isso será fundamental para o país e para resgatar a verdade”, disse. ---------------- DEFESA DO GOVERNO LULA E DA DEMOCRACIA ---------- Durante o discurso, Gleisi destacou a trajetória do presidente Lula, ressaltando sua legitimidade eleitoral e o histórico do Partido dos Trabalhadores. “Lula foi eleito três vezes pelo povo brasileiro. O PT subiu cinco vezes a rampa do Planalto com apoio popular. Isso diz muito sobre o nosso legado. Do outro lado, deixaram morte, dor, prejuízo e, sobretudo, o ódio”, afirmou. Ao final, a parlamentar reforçou a necessidade de preservar a democracia e alertou para os riscos de retrocessos institucionais. “Votar esse projeto é permitir que episódios como tentativa de golpe voltem a acontecer. Nosso compromisso com a Constituição de 1988 é defender uma democracia que ainda está frágil.”