O Irã transformou o Estreito de Ormuz em sua principal ferramenta geopolítica no conflito. A mensagem é direta: países considerados “amigos” podem atravessar, enquanto embarcações ligadas aos Estados Unidos e a Israel enfrentam bloqueios. O chanceler Abbas Araghchi afirmou em 1º de abril: “Não podemos permitir que nossos inimigos utilizem nossas águas territoriais para comércio”.
🤝 A lista de países autorizados segue crescendo, incluindo China, Rússia, Índia, Paquistão, Iraque, Malásia, Tailândia, Filipinas, Turquia e África do Sul. Países como Japão, França e Itália já estariam em negociação direta com Teerã. O parlamento iraniano também aprovou um plano para cobrar taxas de embarcações que utilizarem a rota.
Analistas descrevem o cenário como um “sistema de passagem controlada”. Desde o início da guerra, menos de 100 navios cruzaram o estreito — antes, o número chegava a cerca de 135 por dia. Aproximadamente um terço dessas travessias tem ligação direta com o próprio Irã. Especialistas da região destacam que não se trata de uma reabertura completa, mas de um modelo seletivo baseado em interesses estratégicos.
🧩 Além disso, o Irã negocia com Omã um protocolo conjunto para monitorar e coordenar o tráfego de petroleiros. Caso esse acordo avance antes de um cessar-fogo, poderá transformar o bloqueio temporário em um sistema permanente de controle da rota — o que exigiria mudanças formais em qualquer eventual acordo de paz.

