Pré-candidatos pressionam Moro por explicações sobre elo entre Ratinho e Banco Master

oexpressobr.com.br --------- A movimentação política no Paraná atingiu um novo patamar de tensão nesta semana. O senador Sergio Moro (PL), agora oficialmente pré-candidato ao Governo do Estado, passou a ser alvo direto de cobranças por parte de adversários e figuras centrais de bastidores, como o empresário Tony Garcia. O foco das pressões é a suposta relação entre o governador Ratinho Júnior (PSD) e o Banco Master, em um imbróglio que mistura propaganda comercial, repasses milionários e silêncio político. --------------- O centro da polêmica: O “Cartão CredCesta” -------------- O cerne do questionamento envolve o grupo empresarial da família do governador. Recentemente, veio a público que empresas vinculadas ao apresentador Ratinho (pai do governador) teriam recebido cerca de R$ 24 milhões do Banco Master. A polêmica ganha contornos políticos porque o Banco Master é o emissor do CredCesta, um cartão de benefício adotado pelo Governo do Paraná para os servidores públicos estaduais. Tony Garcia, ex-aliado de Moro e hoje seu principal detrator, tem usado as redes sociais para cobrar que o ex-juiz da Lava Jato se posicione sobre o que chama de “triangulação suspeita”. ----------------- Moro entre a cruz e a espada ----------- A pressão sobre Moro é estratégica. Como o senador acaba de se filiar ao PL de Jair Bolsonaro para disputar o Palácio Iguaçu, ele se coloca como o principal opositor ao grupo de Ratinho Júnior. A cobrança: Adversários questionam por que o paladino do combate à corrupção ainda não formalizou denúncias ou pedidos de investigação robustos sobre os repasses do Master ao Grupo Massa. A reação: Em declarações recentes, Moro afirmou que “ninguém está acima da lei” e mencionou ter apresentado requerimentos de quebra de sigilo em comissões no Senado, mas que as investigações enfrentam barreiras judiciais. --------------- Xadrez eleitoral de 2026 ----------- A desistência de Ratinho Júnior da pré-candidatura à Presidência da República, anunciada em março, mudou o cenário. Ao decidir permanecer no Paraná até o fim do mandato, o governador sinalizou que focará todas as energias em derrotar Moro, lançando um sucessor de sua confiança. ------------------ Próximos passos ------------ Enquanto a CPI do Banco Master ganha força na Câmara dos Deputados em Brasília, no Paraná a pauta deve dominar os debates eleitorais. Pré-candidatos de esquerda e de centro-direita aproveitam a brecha para desgastar tanto a imagem de “gestor eficiente” de Ratinho quanto a de “justiceiro” de Moro, exigindo que o senador transforme o discurso de rede social em ações concretas no Ministério Público ou no Conselho de Ética. “A simples existência de suspeitas já justifica medidas mais profundas”, declarou Moro à imprensa, tentando equilibrar a ofensiva contra o governador sem se desgastar com o eleitorado que ainda vê em Ratinho um aliado natural do campo conservador.