Ato bolsonarista na Paulista deslocou manifestações do 1º de Maio, mas terminou com calçada vazia, trio sem massa e discurso de que o grupo “carrega o país nas costas”
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Por: Diego Feijó de Abreu na Revista Forum ---------
O ato bolsonarista na Avenida Paulista realizado nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026, em São Paulo, reuniu 95 pessoas nas proximidades do Masp, segundo contagem feita pelo Poder360 no local. A extrema direita reservou uma das principais avenidas do país, deslocou atos sindicais no Dia do Trabalhador e entregou uma cena de flop explícito: trio, grades, calçada vazia e um público menor que muita fila de padaria em feriado.
A manifestação foi convocada por grupos bolsonaristas com pautas de apoio a Jair Bolsonaro, defesa de Flávio Bolsonaro e ataques ao Supremo Tribunal Federal. A expectativa divulgada antes do ato falava em milhares de pessoas. Na prática, a Paulista virou uma vitrine do encolhimento: muito espaço disponível para pouca gente ocupar.
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Ato bolsonarista na Paulista virou símbolo da flopada
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A imagem mais forte do ato não foi o discurso no carro de som. Foi o vazio em volta dele. Em plena Avenida Paulista, no feriado do 1º de Maio, a extrema direita conseguiu transformar uma disputa política por espaço público em uma demonstração involuntária de baixa adesão.
Um dos organizadores, Mario Malta, tentou minimizar o fiasco. Questionado sobre o público, afirmou que o grupo não estava “preocupado com a massa”. A frase serviu quase como legenda pronta para a cena: a direita tomou a avenida, mas a massa não foi.
“O que importa é onde a esquerda está”, afirmou Malta.
Em vídeo nas redes, uma apoiadora resumiu o tom da manifestação ao dizer que o grupo “carrega o país nas costas”. A frase ganhou contornos irônicos diante da imagem do ato: se o país estava nas costas, o peso parecia caber tranquilamente numa calçada.
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Extrema direita tirou o 1º de Maio da Paulista, mas não levou povo
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O ato bolsonarista na Paulista ocorreu depois de uma disputa administrativa pelo uso da avenida. Grupos de direita protocolaram pedido com antecedência para ocupar o espaço no Dia do Trabalhador. A Polícia Militar considerou a ordem cronológica das solicitações e impediu manifestações simultâneas com pautas opostas no mesmo local.
Com isso, atos sindicais e de esquerda foram deslocados para outros pontos de São Paulo. A CSP-Conlutas, que pretendia realizar manifestação na Avenida Paulista, transferiu sua atividade para a Praça da República. Outros movimentos progressistas ocuparam a Praça Roosevelt.
O direito de reunião é previsto no artigo 5º da Constituição Federal, desde que a manifestação seja pacífica, sem armas, tenha aviso prévio à autoridade competente e não frustre outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local.
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Flop bolsonarista contrastou com discurso de força
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A semiótica do ato jogou contra os próprios organizadores. A extrema direita queria mostrar domínio sobre a Paulista. Acabou produzindo a imagem de um palco superdimensionado para uma plateia mínima.
O contraste foi ainda maior porque o 1º de Maio é uma data historicamente ligada à mobilização da classe trabalhadora. No lugar de uma multidão, a direita entregou um ato esparso, sem lideranças de peso e sem capacidade visível de ocupar a avenida que havia reservado.
A pauta também reciclou bandeiras do bolsonarismo, como ataques ao STF e defesa de medidas que podem beneficiar condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. A Fórum mostrou que a derrubada do veto ao PL da Dosimetria reacendeu a articulação da extrema direita em favor de Bolsonaro e dos condenados pela tentativa de golpe.
Paulista vazia virou recado político
O resultado do ato bolsonarista na Paulista foi politicamente constrangedor. A direita venceu a burocracia, ficou com a avenida e perdeu na imagem. Reservou o símbolo, mas não conseguiu preencher o espaço.
No fim, a cena mais eloquente não veio do microfone. Veio de cima: a Paulista aberta, o trio parado e um agrupamento pequeno demais para sustentar a narrativa de força que os organizadores tentaram vender.
