por José Gil *
Uma das cenas mais curiosas do cinema, no filme Cruzada (Kingdom of Heaven) de Ridley Sott, Saladino recebe em sua tenda no deserto o nobre francês Guy de Chântillon e Balian de Ibelin. Um empregado traz uma bandeja com sorvetes (o ano é 1.187 dC, mas os persas já dominavam a arte de fazer sorvete no deserto).
Ao ver o sorvete, o francês Guy não contém a alegria e avança sobre a bandeja pegando uma das taças. O conquistador Saladino interpreta aquilo como falta de educação e manda chicotear o francês. O filme mostra as chicotadas, mas na realidade, segundo historiadores árabes, ele foi decapitado. Perdeu a cabeça por causa de um sorvete.
Durante viagens a vários países fazendo assessoria de imprensa para uma embaixada de país árabe, sempre procurei experimentar sorvetes - artesanais e gourmet -, comparando sabores, texturas, cremosidades, estabelecendo notas de 1 a 10, e neste artigo transmitirei ao leitor algumas de minhas experiências, e a conclusão surpreendente de que o melhor sorvete está em nossa terra, pelos motivos a seguir.
Um dos melhores sorvetes que experimentei foi em Ciudad del Este, no Paraguai. Calma... já explico. Sabemos que sorvete não faz parte da culinária paraguaia. Eu andava por um grande centro comercial em Ciudad del Este e vi uma placa anunciando sorvete italiano no andar superior. Fui ao local e experimentei um sorvete importado de Milão. Maravilhoso. Nota 8.
Nem mesmo em Roma experimentei um sorvete tão bom, mesmo nas imediações da Fontana di Trevi, nada que se comparasse ao sorvete de Milão.
Meses depois, estive em Lisboa, e experimentei sorvetes na Praça do Comércio e na Praça das Flores. Sorvetes medianos, notas 6 e 7. Os portugueses também não são famosos por fazerem sorvetes excepcionais, mas os doces e os pratos de bacalhau são insuperáveis, embora Viena tenha doces tão bons quanto.
Em Paris, em uma das transversais da Champs Elysees, nenhum sorvete que tenha chamado minha atenção. Nota 6. Nas imediações das escadarias da Basílica de Sacré-Coeur encontrei um sorvete que mereceu nota 7.
Em Caiobá havia uma sorveteria que importava sorvetes da França. Tinha uma boa marca, mas durou pouco tempo.
Curitiba é uma capital com grande variedade de sorveterias gourmet, mas ainda não encontrei nenhuma que surpreendesse.
Foi no litoral paranaense que encontrei um sorvete que merece nota 10. Na Estrada da Graciosa, quase chegando em Morretes, no Porto de Cima, em frente a Pousada Dona Siroba, está localizada a Sorveteria Banana da Terra, de Estela Weber.
Para os apreciadores de sorvete que gostam de degustar - e não apenas consumir um sorvete -, prestando atenção na textura, no sabor, na cremosidade, no "overrun" que deixa a massa mais suave e homogênea, a Banana da Terra é das melhores entre as melhores.
A proprietária, Estela Weber, valoriza as frutas regionais, mas tem muita variedade de sabores.
Conheça e desfrute. Visite no insta @sorveteriabananadaterra
* José Gil é ex-presidente do Conselho Nacional de Cineclubes e editor do Jornal Água Verde

