Oliver Stone e Lula - Ricardo Stuckert
Matéria publicada no jornal O Globo e disseminada por grupos bolsonaristas afirma que documentário estadunidense sobre o presidente brasileiro recebeu verba do dono do Banco Master
Por: Marcelo Hailer na Revista Forum
Matéria veiculada no jornal O Globo e assinada pelo colunista Lauro Jardim afirma que o documentário sobre o presidente Lula, dirigido pelo renomado diretor estadunidense Oliver Stone, recebeu verba de Daniel Vorcaro. Tal publicação foi disseminada por grupos bolsonaristas como forma de “blindar” o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu R$ 134 milhões ao dono do Banco Master para investir no longa “Dark Horse”, biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, Oliver Stone, em nota enviada à jornalista Mônica Bergamo, desmente a informação veiculada no jornal O Globo:
“Não houve quaisquer recebimentos de recursos, investimentos, patrocínios ou contribuições de qualquer natureza originados a partir de negociações com Daniel Vorcaro, com o Banco Master ou com qualquer empresa ou fundo a eles associados. Reservamo-nos ainda o direito de adotar as medidas judiciais cabíveis contra falsas alegações e informações inverídicas noticiadas e publicadas.”
O documentário “Lula” (2022), dirigido por Oliver Stone e Rob Wilson, foi lançado no Festival de Cannes de 2022, traça o perfil político do presidente Lula e aborda a sua ascensão no movimento sindical, os seus primeiros governos, sua prisão e sua volta ao Palácio do Planalto em 2022.
Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente pré-candidato à Presidência da República, teria tratado diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, sobre um aporte de US$ 24 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões à época, para financiar a produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
As informações foram reveladas pelo Intercept Brasil, que afirma ter tido acesso a mensagens, áudios, documentos e comprovantes bancários relacionados às tratativas.
De acordo com a reportagem, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação dos períodos em que os valores teriam sido transferidos, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, por meio de seis operações. O dinheiro teria sido enviado ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
Entre os materiais obtidos pelo Intercept está uma mensagem enviada por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador.
Vorcaro foi preso no dia seguinte, sob acusação de comandar um esquema de fraude que teria causado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. Já em 18 de novembro, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.
Ainda segundo a reportagem, as negociações também teriam envolvido Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias e intermediários como o empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro.
Flávio nega financiamento e chama informação de mentira
Procurado pessoalmente pelo Intercept nesta quarta-feira (13), Flávio Bolsonaro negou que Daniel Vorcaro tenha financiado o filme sobre Jair Bolsonaro.
“De onde você tirou essa informação? É mentira”, respondeu o senador.
Na sequência, Flávio riu e deixou o local onde concedia entrevista à imprensa, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal.
O senador já havia negado qualquer relação entre sua família, a extrema direita e o Banco Master. Ao comentar anteriormente uma doação de R$ 3 milhões feita pelo cunhado de Vorcaro à campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio afirmou à CNN que a contribuição ocorreu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”.
Na ocasião, ele também declarou: “Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”.
