"Por onde andam Moro e Dallagnol?", questiona Gleisi

Deputada ironiza ausência de antigos “paladinos da ética” diante das revelações sobre Daniel Vorcaro e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro "Por onde andam Moro e Dallagnol?", questiona Gleisi (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil) 247 – A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou o silêncio de integrantes da direita e da Lava Jato após a divulgação das denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento milionário do filme Dark Horse, inspirado em Jair Bolsonaro. Em publicação nas redes sociais, Gleisi ironizou a ausência de figuras que durante anos se apresentaram como símbolos do combate à corrupção. “Silêncio ensurdecedor dos apoiadores master do Flávio Bolsonaro! Por onde andam Sérgio Moro e Deltan Dallagnol?”, escreveu a parlamentar. Gleisi mira antigos nomes da Lava Jato A declaração ocorre após a divulgação de áudios, mensagens e documentos publicados pelo Intercept Brasil indicando que Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Daniel Vorcaro um aporte de até 24 milhões de dólares — cerca de R$ 134 milhões — para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O caso desencadeou forte repercussão política e provocou desgaste dentro do bolsonarismo, mas, segundo Gleisi, antigos nomes da operação Lava Jato permanecem em silêncio. Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, que durante anos posaram como “paladinos da ética” e monopolizaram o discurso anticorrupção no país, ainda não se manifestaram publicamente sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o clã Bolsonaro. Áudios agravaram crise no bolsonarismo A crise ganhou dimensão nacional após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro para evitar a paralisação do filme Dark Horse. Na gravação, o senador demonstra preocupação com os atrasos nos pagamentos e alerta para o risco de comprometer contratos internacionais. “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, no Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio. Em outro trecho, ele acrescenta: “Agora, na reta final, a gente não pode vacilar nem deixar de honrar os compromissos, porque senão podemos perder tudo”. Posteriormente, Flávio confirmou a autenticidade do áudio e admitiu que buscava “patrocínio privado” para financiar o longa sobre o pai. Silêncio contrasta com postura da Lava Jato A reação de Gleisi explora justamente o contraste entre a postura adotada por Moro e Dallagnol durante os governos do PT e a ausência de manifestações agora que o escândalo atinge diretamente o núcleo bolsonarista. Durante a operação Lava Jato, ambos transformaram acusações e vazamentos em espetáculos políticos e midiáticos, muitas vezes antes mesmo da conclusão de investigações formais. Agora, diante de um caso que envolve cifras milionárias, mensagens comprometedoras e relações entre o clã Bolsonaro e um banqueiro investigado, os antigos protagonistas da Lava Jato permanecem praticamente ausentes do debate público. Caso amplia desgaste da extrema direita O escândalo envolvendo Daniel Vorcaro passou a ser tratado como uma das maiores crises políticas enfrentadas pelo bolsonarismo desde o fim do governo Jair Bolsonaro. As revelações aprofundaram divisões internas na direita, provocaram reações de antigos aliados e aumentaram os pedidos de abertura de uma CPI para investigar o Banco Master e as relações do banqueiro com figuras políticas. Enquanto isso, o silêncio de personagens que construíram suas carreiras políticas com o discurso moralista passou a ser explorado por parlamentares governistas como mais uma demonstração da seletividade que marcou a atuação da Lava Jato ao longo dos últimos anos