O deputado estadual Requião Filho (PDT) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), nesta segunda-feira (04), para fazer duras críticas à atuação da Copel. O parlamentar destacou o recente anúncio de aumento das tarifas de energia, que podem ultrapassar 19% para residências e 51% para a indústria.
O deputado afirmou que o foco da empresa está no lucro dos acionistas, em detrimento da sua função social e econômica. “Historicamente, a Copel, desde a sua privatização, escolhe sempre o valor máximo de aumento autorizado. Se é cinco, ela dá cinco. Se é dez, ela dá dez. Se é vinte, ela dá vinte”, afirmou. Segundo ele, antes da privatização, havia políticas que amenizavam o impacto na conta de luz, como descontos para consumidores adimplentes e incentivos ao setor produtivo.
Em seu discurso, Requião Filho ressaltou que a Copel pública, durante o governo Requião, adotava medidas de estímulo ao desenvolvimento, como tarifas reduzidas para irrigação noturna no campo, programas de tarifa social e a expansão gratuita da rede elétrica para pequenas propriedades rurais. “Luz no campo não é luxo, é necessidade”, reforçou.
O parlamentar também criticou os resultados recentes da companhia. Em abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou um ranking de continuidade de serviço que posiciona a Copel em 27º lugar, entre as últimas colocadas do país. Ele ainda citou casos de comunidades paranaenses que permanecem vários dias sem energia após eventos climáticos, além do aumento no tempo de resposta para o restabelecimento do fornecimento.
A alta dos salários da diretoria da Copel e à prioridade dada aos resultados financeiros foi um ponto de destaque do deputado. Para ele, a privatização da Copel foi “um dos maiores erros da história do Paraná”, contribuindo para o aumento do custo de vida no estado, hoje o segundo maior do Brasil, como aponta levantamento da Serasa em fevereiro de 2026.
Ao final, Requião Filho defendeu a revisão do modelo atual, incluindo a possibilidade de recompra das ações da empresa. “A Copel traiu o povo do Paraná. Hoje, trabalha para dar lucro aos acionistas, não para desenvolver o Estado. É possível devolver a Copel aos paranaenses”, concluiu.
Foto: Antonio More
