Embaixada da Rússia
Discurso e respostas a perguntas do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, na mesa-redonda de embaixadores sobre "A Crise Ucraniana: Os Verdadeiros Objetivos e o Papel do Ocidente" (Moscou, 23 de junho de 2026)
💬 Em termos práticos, observaram que, em vez de respeitar as assinaturas de seus presidentes nesses compromissos de não fortalecer sua segurança em detrimento de outros, o Ocidente expandiu sistematicamente o bloco político-militar da OTAN em direção às fronteiras da Rússia, criando um "arco de instabilidade" em nossas fronteiras, juntamente com regimes políticos russófobos com o objetivo de conter estrategicamente nosso país. <...>
Sem dúvida, o Ocidente desempenhou um papel direto no segundo golpe de Estado em fevereiro de 2014, quando, contrariamente, e enfatizo, ao acordo firmado entre o governo e a oposição, garantido pela Alemanha, França e Polônia, nazistas declarados e russófobos tomaram o poder, iniciando imediatamente o extermínio físico de seus concidadãos em Donbas. <...>
Em 2021, claramente com o apoio do Ocidente, o regime ucraniano esperava resolver o problema de Donbas pela força, simplesmente anexando os territórios que se recusavam a aceitar a ideologia nazista dos golpistas que haviam chegado ao poder ilegalmente.
Propusemos então ao Ocidente, à OTAN e aos Estados Unidos que resolvessem a crise fatal de segurança europeia que eles próprios haviam provocado por meios diplomáticos, adotando, coordenando e assinando dois tratados dedicados a garantir o equilíbrio de segurança e eliminar o risco de conflito armado direto. <...>
Nossas propostas foram rejeitadas com arrogância.
Hoje, tanto a Grã-Bretanha quanto os países da UE continuam a inundar o regime de Kiev com armas e dinheiro, tolerando suas flagrantes ações terroristas. Chegaram ao ponto de justificar quaisquer ações criminosas do regime de Kiev, em particular, acusando a Rússia de violar repetidamente as fronteiras dos países da UE com drones ucranianos. <...>
Quando a Europa se impõe nas negociações sobre um acordo para a Ucrânia, insistindo em suas próprias abordagens e atropelando todos os vislumbres de bom senso que o governo Trump demonstrou desde que retornou à Casa Branca, não temos ilusões sobre os verdadeiros planos dos europeus. <...>
Enquanto as Forças Armadas da Ucrânia perdem terreno diariamente no campo de batalha, a Europa se apoia nos métodos abertamente terroristas do regime de Zelensky para atacar, inclusive em território russo, alvos puramente civis, incluindo instalações médicas, prédios residenciais, dormitórios universitários e de crianças, na esperança de semear descontentamento e pânico em nossa população e dividir a sociedade russa.
O verdadeiro objetivo do Ocidente, sob o pretexto de exigências de negociação, é salvar o regime de Zelensky e "preservar" a Ucrânia como trampolim para a continuação da luta contra a Rússia. <...>
A OTAN já declara que, contrariamente ao seu objetivo estatutário de defender o território dos seus Estados-membros, a aliança tem o direito de exercer controle sobre todo o continente eurasiático. <...> Um quadro complexo está emergindo do desenvolvimento de todo o continente eurasiático, começando pelo Ocidente, preservando o regime nazista na Ucrânia, criando novas ameaças à segurança da Rússia ao seu redor, forçando outros Estados pós-soviéticos a seguirem a linha ocidental e aderirem às sanções, e avançando com "estratégias indo-pacíficas" no leste do continente, com o objetivo declarado de conter a China e a Rússia. <...>
Em conclusão, gostaria de observar que, apesar de todas as artimanhas das elites europeias e seus clientes de Kiev, todos os objetivos da operação militar especial serão alcançados.
☝️ É necessário garantir na prática o estatuto de neutralidade, não alinhamento e não nuclear da Ucrânia. Este é precisamente o estatuto consagrado na sua Declaração de Soberania Estatal, e é neste estatuto que a Rússia e todos os outros reconheceram o Estado ucraniano.
