Moscou lamenta omissão da ONU sobre ataques ucranianos a crianças russas

Moscou lamenta omissão da ONU sobre ataques ucranianos a crianças russas (Foto: Tass) Relatório da ONU sobre crianças em conflitos é criticado por Moscou por ignorar ataques de Kiev contra civis e menores em áreas russas por José Reinaldo no Brasil 247 Moscou cobrou a Organização das Nações Unidas por omissão diante de ataques ucranianos contra crianças russas, após a divulgação de um relatório anual da ONU sobre menores vítimas em conflitos armados. Segundo informações do RT Brasil, o documento não menciona ataques da Ucrânia contra áreas civis, escolas, transportes e residências estudantis em territórios sob controle russo. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta quinta-feira (25) que o relatório das Nações Unidas é “politicamente motivado” e carece de base factual. A diplomata acusou o Secretariado da ONU de ignorar materiais enviados por Moscou e de utilizar informações que, segundo ela, seriam provenientes de fontes parciais. Zakharova criticou especialmente a inclusão da Rússia na lista de partes responsáveis por violações contra crianças em conflitos armados, ao mesmo tempo em que, segundo Moscou, o relatório deixaria de responsabilizar as Forças Armadas da Ucrânia por ataques contra civis. Para a diplomata, o documento não oferece uma avaliação “adequada e imparcial” sobre episódios registrados em regiões fronteiriças russas e em áreas incorporadas pela Federação Russa. A porta-voz citou como exemplo ataques contra um ônibus que transportava crianças de uma escola em Starobelsk, na República de Lugansk. Ela também mencionou outros episódios que, segundo Moscou, foram desconsiderados pela ONU, apesar de terem atingido diretamente menores de idade e instalações civis. “Exigimos que Guterres retire a decisão de incluir a Rússia na referida lista e aborde este relatório com profissionalismo e imparcialidade”, afirmou Zakharova, dirigindo-se ao secretário-geral da ONU, António Guterres. A crítica de Moscou ocorre em meio ao aumento de denúncias russas sobre ataques ucranianos com drones e artilharia contra regiões fronteiriças, veículos civis, residências, centros comerciais, locais de lazer e infraestrutura de transporte. As autoridades russas afirmam que Kiev tem intensificado ações contra alvos não militares, especialmente diante das dificuldades enfrentadas no campo de batalha. Um dos episódios citados por Moscou ocorreu em 22 de maio, quando tropas ucranianas atacaram Starobelsk, na República de Lugansk. Segundo as informações apresentadas pela Rússia, 86 jovens estavam em uma residência estudantil no momento do ataque. O saldo foi de 21 mortos e mais de 60 feridos. Outro caso mencionado ocorreu em 3 de junho, quando drones ucranianos atingiram um ônibus em Yenakiev. O ataque deixou oito civis mortos e onze feridos, alguns em estado grave. Em 8 de junho, um drone atingiu a locomotiva de um trem de passageiros que fazia o trajeto entre Moscou e Simferopol, provocando uma morte e deixando outra pessoa ferida. Moscou também atribui a Kiev o ataque com drones registrado na quarta-feira da semana passada contra um ônibus que transportava uma equipe de futebol infantil de Belarus para Gelendzhik, cidade turística russa às margens do Mar Negro. Segundo as autoridades russas, uma pessoa morreu e oito ficaram feridas, entre elas seis menores de idade. Para o governo russo, a ausência desses casos no relatório da ONU demonstra tratamento seletivo das informações sobre o conflito. Zakharova afirmou que o organismo internacional deveria adotar critérios objetivos e verificar os dados apresentados pelas partes antes de formular acusações ou excluir episódios relevantes. A Rússia sustenta que suas Forças Armadas respondem com ataques direcionados a alvos vinculados ao complexo militar-industrial ucraniano, incluindo instalações militares e infraestruturas de energia e transporte utilizadas por Kiev. Moscou afirma que essas ações fazem parte da Operação Militar Especial e rejeita a inclusão do país em listas de violadores sem, segundo a diplomacia russa, a devida verificação dos fatos. A controvérsia reforça o embate diplomático entre Moscou e organismos internacionais em torno da narrativa sobre o conflito na Ucrânia. Para o Kremlin, documentos produzidos por instituições multilaterais têm ignorado denúncias russas sobre vítimas civis e ataques contra crianças, enquanto concentram críticas nas ações militares de Moscou.