Gervásio Castro Neto - Texto de Menon
Em 1936, a Alemanha recebeu as Olimpíadas, em Berlim.
Adolf Hitler fez de tudo para vencer. Atletas da União Soviética eram obrigados a ficar alojados na Áustria. Tinham autorização para entrar em solo alemão apenas para competir. E tinham de voltar imediatamente para solo austríaco, até nova autorização.
O primeiro parágrafo é verdadeiro. O segundo, é mentiroso. Hitler, inclusive, como mostra Ruy Castro e Trincheira Tropical, fez questão de maquiar Berlim,, tirando cartazes ofensivos a judeus. Jornais de outros países puderam circular.
Quem, 90 anos depois, está prejudicando atletas e ignorando lições mínimas de fairplay é Donald Trump. Ao contrário de outros países que, ao sediar grandes eventos, querem mostrar uma face acolhedora ao Mundo – a Olimpíada da China em 2008 ou de Barcelona em 92, por exemplo, ele faz questão de dizer que está fazendo um favor ao mundo e que todos são coadjuvantes da tentativa de MAGA – Make América Great Again.
Ele tratou seus parceiros de Copa como lixo. Prometeu anexar o Canadá. E tornou mais duras ainda as leis de imigração contra o México.
Agora, com a Copa começando, fez o que Hitler não fez. Os jogadores iranianos – país que ele tenta ocupar – vão fazer os três primeiros jogos nos Estados Unidos, mas a concentração é no México. Eles irão viajar no dia das partidas e voltar em seguida. Tudo no mesmo dia.
É uma atitude que interfere na igualdade de competição. Enquanto os adversários estão perto do local dos jogos e para lá se deslocam após os jogos, os iranianos precisam fazer viagens. Cansativas ou não, atrapalham.
Não é apenas contra iranianos. O atacante Aimé Hussein, do Iraque, ficou detido por sete horas no aeroporto de Chicago. Foi interrogado por agentes policiais. Depois, foi liberado e recebeu a explicação que tudo havia sido uma confusão de nomes.
Arrogância mais prepotência.
E pensar que Infantino, o presidente da Fifa, deu um troféu para Trump, agradecendo pelas tentativas de levar Paz ao Mundo.
transcrito da Revista Fórum
