Por Milton Alves*
Neste sábado (6), a Praça Santos Andrade, no miolo central da capital paranaense, será o palco de uma potente manifestação em defesa do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT), mais uma vez ameaçado de cassação.
O ato reunirá movimentos populares das periferias e das ocupações de Curitiba e Região Metropolitana, caravanas de cidades do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, personalidades do mundo da cultura, lideranças dos movimentos negros, torcidas organizadas de times de futebol e parlamentares dos partidos de esquerda de diversos estados.
A mobilização ganhou uma projeção nacional e unificou um amplo leque de forças políticas e sociais – uma frente única em defesa do mandato de Renato, com a palavra de ordem “Renato Fica!” marcando a convocação nas redes sociais.
Nos próximo dias, uma batalha decisiva será travada no plenário da Assembleia legislativa do Paraná (Alep) após a decisão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que, nesta semana, aprovou relatório final recomendando ao plenário a cassação do mandato de Renato Freitas.
Renato Freitas enfrenta a terceira tentativa de cassação de seus mandatos no parlamento. A primeira tentativa de cassação ocorreu em 2022, quando exercia o mandato de vereador na Câmara de Vereadores de Curitiba, acusado falsamente de ter invadido uma igreja católica. O Supremo Tribunal Federal (STF) restituiu o seu mandato. A segunda tentativa foi movida pelo então presidente da Alep, Ademar Traiano, em 2023, um contumaz batedor de carteira do dinheiro público, que acabou arquivada.
Agora, a nova tentativa é baseada num conflito de rua que envolveu o parlamentar, que quase foi atropelado no centro de Curitiba, gerando uma confusão entre Renato e um manobrista. O relatório final da Comissão de Ética aponta o episódio como falta de decoro parlamentar e orienta a cassação do mandato do petista — uma medida extrema e inédita no parlamento paranaense.
O presidente do PT-PR, deputado Arilson Chiorato, reagiu com indignação e denunciou o caráter discriminatório da decisão do Conselho de Ética. “A cassação do mandato de Renato Freitas é injusta. Não há consistência jurídica no processo. Renato representa um mandato popular, periférico, das minorias. Cassar o deputado é silenciar milhares de vozes. Aplicar a pena capital para um fato ocorrido fora do exercício da atividade parlamentar é cercear a voz de milhares de paranaenses, que nunca foram ouvidos nesta casa”, declarou o dirigente petista.
Fascismo e racismo estrutural
O processo em curso na Assembleia Legislativa, que pode culminar com a perda do mandato de Renato, é um indicativo da agressividade de setores reacionários contra o protagonismo da população negra na luta por seus direitos. É, sem dúvida, mais uma manifestação antidemocrática e reacionária do racismo estrutural.
A mentalidade política e ideológica dos racistas da velha direita corrupta e da extrema direita bolsomaster quer apagar e desconstruir a resistência secular da população negra e mestiça do Brasil, que luta e resiste para romper com os grilhões da brutal discriminação racial e classista. O mandato de deputado estadual de Renato Freitas, obtido por expressiva votação, é um símbolo vivo dessa luta.
Além disso, o crescimento da violência das Polícias Militares (PMs) nos territórios de periferias habitados majoritariamente por populações negras, é um fator permanente de agravamento da tensão social no país. O mandato de Renato Freitas tem sido um ponto de apoio e de referência na luta contra violência do aparato policial, que atinge principalmente a juventude negra e pobre do estado do Paraná.
Portanto, a manifestação deste sábado é um grito da rua de resistência ativa contra o fascismo, a intolerância política e o racismo. Renato Fica!
*Colunista em diversos portais e sites da mídia progressista e de esquerda. Autor dos livros ‘Brasil Sem Máscara – o governo Bolsonaro e a destruição do país'[Kotter, 2022] e de ‘Lava Jato, uma conspiração contra o Brasil'[Kotter, 2021], entre outras obras. Integra o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT-PR).
