Aos 96 anos de idade o oficial de farmácia Gil Marques de Almeida, ex-prefeito de Goioere, faleceu de parada cardíaca no hospital público de Antonina, onde tinha uma farmácia há 22 anos.
Semanas antes ele caminhava pela farmácia, dava palpites para os funcionários, conversava com amigos, bebia uma cerveja no Aníbal, desafiando o alerta e as recomendações do cardiologista.
Na distante Goioerê ele comprou uma pequena farmácia que funcionava na garagem de uma casa de madeira, na decada de 50. Começou a trabalhar em farmácia aos 10 anos de idade na cidade de Lins, interior de São Paulo. O pai, José Marques, foi retirante da seca na Bahia. Aos 17 anos de idade, com um tio, percorreu mais de 200 km a pé para pegar um barco a vapor que vinha para o Sul. O baiano Zé Marques virou fazendeiro em Goioerê, interior do Paraná.
Na decada de 50 não havia médicos na cidade. Gil tinha experiência da farmácia onde trabalhava e como enfermeiro do Exército em Curitiba. Fazia partos e pequenas cirurgias
até a chegada de médicos na cidade.
Entre suas experiências de vida, na decada de 60 foi sequestrado durante a noite por criminosos. Levado a um matagal na estrada para Moreira Sales para atender um criminoso baleado pela polícia. O chefe da quadrilha disse a ele: "Retire essa bala do peito dele, e se ele morrer, você também morre". O marginal sobreviveu à cirurgia improvisada.
Foi vereador e prefeito da cidade de 1960 a 1964. Foi o prefeito que mais construiu escolas e estradas na história da cidade. Em pleno período de colonização criou o bordão "Visite Goioerê, o melhor lugar do mundo", para indústria, comércio e agricultura. Espalhou placas com essa frase em várias rodovias. A população da cidade saltou de 30 para quase 100 mil habitantes.
Para combater o latifúndio improdutivo taxou grandes propriedades agrícolas e isentou pequenos e médios agricultores.
Após sofrer uma derrota na eleição para prefeito, mudou-se de Goioerê para Curitiba, e depois para Antonina, onde fixou residência e montou a Farmacia Nova Antonina.
Faleceu no sábado passado. O corpo foi velado em Antonina e sepultado no domingo em Pinhais, ao lado da esposa Eunice Bueno.
Durante o sepultamento em Pinhais, seu cunhado Leonildo Souza Grota, amigo de toda a vida, ex-secretário de Estado da Justiça do Paraná, relembrou o passado de Gil Marques e emocionou os presentes.
Gil Marques deixou 4 filhos com a primeira esposa, Izaura Alves, e 1 filho com a segunda esposa, Eunice Bueno.
Na cidade de Antonina Gil Marques era visto no restaurante Brisa do Mar, no Sabor Saboroso e no Le Bistrô. Seu lazer preferido era o Rio do Nunes, onde passava as tardes de domingo no Rancho do Rubão.

