Por Requião Filho, deputado estadual e pré-candidato ao governo do Paraná
A nova pesquisa do Instituto IRG, divulgada hoje (15), deve sido ter sido recebida com entusiasmo nos corredores do Palácio Iguaçu. E não é difícil entender o motivo já que, enfrentando tantas dificuldades para transformar o candidato do governo em um nome competitivo, finalmente surgiu uma pesquisa disposta a fazer o esforço necessário para maquiar números, como o governo Ratinho Jr. bem sabe fazer.
O levantamento feito com mil pessoas é mais um exercício curioso de criatividade eleitoral. Em um cenário de primeiro turno e pergunta estimulada, apareço com 18,1% das intenções de voto e consolidado em segundo lugar. Mas isso aparentemente não agradou o suficiente os interesses de quem sonha em fabricar Sandro Alex como sucessão de Ratinho Jr. ao governo do Paraná.
A solução encontrada foi remodelar os cenários, acrescentar apoios de políticos nacionais e criar combinações para empurrar o candidato escolhido pelo Palácio Iguaçu para posições mais confortáveis. Com muito sufoco, ele chegou ao que Ratinho já chamou de "dois dígitos". A realidade é que as pessoas nem sabem quem é o pré-candidato, mas tem jornal que já estampa ele em segundo lugar. Coincidências da vida?
O problema é que a realidade costuma ser mais teimosa do que os desejos do Rei. Mesmo diante dos cenários mais favoráveis ao grupo governista, sigo aparecendo como uma posição consolidada, com eleitorado próprio e capacidade de crescimento. Não por acaso, permaneço entre os nomes mais competitivos da disputa e continuo ocupando o espaço de principal alternativa ao modelo político que administra o Paraná há mais de uma década.
No fim das contas, a pesquisa acaba revelando mais sobre as ansiedades do grupo do PSD do que sobre a eleição em si. Afinal, quando é preciso recorrer a tantos ajustes para produzir um resultado politicamente conveniente, a gente já imagina o tanto que esse povo está roendo as unhas. Mas não adianta sofrer. A dificuldade é real e é justamente convencer os paranaenses de que o sucessor escolhido pela máquina consegue caminhar com as próprias pernas.

