- Flávio Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional (Manoella Mello / Divulgação TV Globo)
Divulgada na véspera do debate, carta denuncia "parcialidade sistemática na cobertura das Eleições 2026 em favor de Flávio Bolsonaro" e, entre outros, pede a "explicação sobre o critério que levou à correção em 24 horas no caso Nossa Senhora Aparecida" e "o silêncio prolongado no caso Dark Horse".
Por: Plínio Teodoro na Revista Forum
Uma “Carta Aberta ao Grupo Globo”, disponibilizada nesta quarta-feira (30) – véspera do debate presidencial – na plataforma Avaaz, denuncia a “parcialidade sistemática na cobertura das Eleições 2026 em favor de Flávio Bolsonaro”, citando as entrevistas no Jornal Nacional e as reportagens sobre Dark Horse, elo de Daniel Vorcaro com o clã. O documento contava com mais de 8 mil assinatura por volta das 6h30 desta quinta-feira (1º), poucas horas antes de ser divulgada.
Leia a carta na íntegra
“Manifestamos profunda preocupação com a cobertura eleitoral do Grupo Globo nas Eleições 2026, que apresenta sinais claros de parcialidade em favor do candidato Flávio Bolsonaro. Os fatos abaixo são públicos e verificáveis”, diz o texto, ao listar fatos da cobertura jornalísticas do grupo comandado pelo clã Marinho.
O primeiro tópico revela que 10 das 15 perguntas direcionadas a Lula na entrevista ao Jornal Nacional focavam no tema corrupção. Já Flávio Bolsonaro teve “proporção significativamente menor sobre corrupção” na participação do telejornal.
“Quando questionado sobre sua relação com o deputado Rodrigo Bacellar — preso por envolvimento com o Comando Vermelho —, Flávio foi sabatinado por apenas 38 segundos, sem follow-up. A jornalista Neide Duarte, com 42 anos de casa, declarou que a emissora ‘continua essa batalha para derrubar Lula, agora de forma escancarada'”, diz o texto, citando a análise da jornalista veterana que fez carreira na emissora.
Omissão no caso Dark Horse e Nossa Senhora
Outro tópico da carta cita a omissão da Globo sobre o inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga supostos crimes de Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção na relação com Daniel Vorcaro, do ex-banco Master, e o repasse milionário do banqueiro ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
“A acusação central: Flávio teria solicitado R$ 131 milhões ao ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiamento de produções cinematográficas — cerca de R$ 61 milhões já pago”, diz o texto.
“O que o Fantástico fez em 13 de setembro: exibiu reportagem de mais de 6 minutos sobre o caso, focou no deputado Mário Frias e em repasses da Prefeitura de São Paulo, e não mencionou uma única vez que Flávio Bolsonaro é investigado formalmente. A decisão de Mendonça que retirou o sigilo foi tornada pública em 11 de setembro — uma sexta-feira. O Fantástico teve dois dias inteiros para incluir o nome de Flávio. Optou por não fazê-lo”, emenda a carta.
A carta ainda cita uma discussão entre o comentarista Valdo Cruz e Merval Pereira, porta-voz do clã Marinho, e o caso envolvendo o comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, sobre o movimento detectado por setores da Igreja Católica para destituir de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
“Em 24 de setembro de 2026, a comentarista Maria Cristina Fernandes afirmou, na GloboNews, que setores da Igreja Católica monitoram há anos movimentos evangélicos contrários ao título de Nossa Senhora Aparecida como “Padroeira do Brasil”, inclusive grupos ligados a Flávio Bolsonaro, reacendendo o temor em torno do PL 2623/07 — projeto que propôs essa medida e segue arquivado no Congresso aguardando cenário favorável. Na avaliação da jornalista, o movimento favoreceria mais a Lula do que a Flávio”, diz o texto.
“A reação da Globo: em menos de 24 horas, a emissora foi ao ar em edição extraordinária, publicou nota oficial corrigindo a informação e pediu desculpas, esclarecendo que a proposta original (PL 2623/2007, de Victório Galli) foi arquivada em 2008. Ou seja, não se deu notícia falsa, mas por conta das conexões feitas na internet com Flávio Bolsonaro, a Globo trouxe informação de ‘erro'”, denuncia a carta.
A carta ainda mostra “o peso político da omissão” nas pesquisas eleitorais, mostrando como a cobertura pró Flávio Bolsonaro auxilia a campanha de Flávio Bolsonaro.
Ao final, os signatários pedem a “divulgação integral do roteiro das entrevistas do JN, com perguntas e tempos exatos” e a “explicação formal do Fantástico sobre por que Flávio Bolsonaro, investigado formalmente pelo STF no caso Dark Horse, não foi mencionado na reportagem de 13 de setembro”.
Além disso, a carta pede a “explicação sobre o critério que levou à correção em 24 horas no caso Nossa Senhora Aparecida, mas ao silêncio prolongado no caso Dark Horse” e o “compromisso público de isonomia na cobertura dos candidatos no período final da campanha”.
