Em entrevista à TV 247, a deputada federal projeta reação no segundo turno e convoca a militância para a luta nas ruas e redes sociais
por João Antonio Cunha no Brasil 247
Poucos dias após a definição do primeiro turno eleitoral, a deputada federal pelo PT do Paraná, Gleisi Hoffmann, participou de uma entrevista ao vivo na TV 247. Em um tom combativo e de convocação direta à militância progressista, a parlamentar avaliou os primeiros desdobramentos do segundo turno e cravou: “Lula vai virar e ganhar a eleição”.
Durante a entrevista, Gleisi enfatizou que o momento não é para lamúrias ou paralisia, mas de luta política ostensiva e cotidiana. Ela apontou como vetor fundamental de virada a mobilização espontânea que começou a tomar conta das universidades públicas em diversos estados do país.
“Nós fomos forjados na luta política. O que nós estamos vendo nas ruas, com os estudantes e a juventude por todo o Brasil — no Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraná —, é a demonstração clara de que o país percebeu o que está em jogo”.
A deputada ressaltou que essas manifestações partem do próprio movimento estudantil e da sociedade civil organizada em defesa do ensino público, da ciência e da democracia, reagindo diretamente ao histórico de cortes e hostilidade da extrema-direita contra o ambiente acadêmico.
Alerta fiscal: “Corte de R$ 250 bilhões atingirá saúde, educação e aposentados”
Um dos pontos mais contundentes da participação de Gleisi Hoffmann foi a denúncia do impacto social que as propostas da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) representam para o orçamento da União. Ao examinar o teto de gastos e as sinalizações de ajustes fiscais drásticos, Gleisi fez um cálculo detalhado da estrutura orçamentária do país:
Previdência Social: representa 47% das despesas primárias da União.
Saúde: representa cerca de 10% do orçamento.
Educação: representa cerca de 9,9% do orçamento.
“Aonde vocês acham que vai recair a carga de um ajuste fiscal prometido em cerca de 200 a 250 bilhões de reais? Vão tirar da educação e da saúde ao congelar os pisos constitucionais apenas pela inflação, e vão desvincular o salário mínimo dos benefícios da previdência social. O ataque aos aposentados e aos serviços públicos é a única forma de fechar essa conta”.
Estratégia eleitoral: busca por indecisos e redução da abstenção
Para reverter o placar das urnas, a parlamentar traçou os eixos centrais de atuação do campo democrático nos dias decisivos do segundo turno:
Combate à abstenção no Nordeste: região historicamente decisiva onde o engajamento do eleitorado tem potencial direto de ampliação da margem de votos.
Diálogo nos pequenos municípios: atenção renovada às cidades do interior, especialmente com produtores rurais e famílias impactadas pelos juros altos e pelo endividamento.
Mobilização da juventude e dos idosos: incentivo ao voto facultativo de jovens a partir de 16 anos e de idosos acima de 70 anos, resgatando a memória histórica dos avanços sociais conquistados a partir de 2003.
Pautas trabalhistas e de comunicação
Gleisi destacou também o debate sobre o fim da jornada de trabalho na escala 6×1. Ela elogiou a postura firme adotada pelo presidente Lula em defesa da redução da carga horária sem perda salarial e criticou o discurso da oposição que defende a “livre negociação individual”. “É como colocar o peito do passarinho para negociar direto com a espingarda”, resumiu.
Sobre a comunicação de campanha, atendendo a comentários da audiência da TV 247, a deputada reforçou que a prioridade deve ser a mensagem direta e pedagógica com o povo trabalhador. “Nossa campanha precisa ser objetiva, mostrando claramente o que foi feito pelo nosso governo e o grave retrocesso que está ameaçando o Brasil”.
